Todo mundo se machuca, às vezes…


Tenho medo de pessoas que não reconhecem que são finitas, pequenas e que a vida nos atinge em cheio.

Várias vezes.
Sonhos despedaçam-se.
Tristeza bate na alma.

Afinal, ‘todo mundo se machuca, às vezes…’

Não saber lidar com isto, e negar, é o caminho da solidão.

E é interessante perceber que isto começa a bater forte no fim do ano.

Todo fim do ano…  Continue lendo “Todo mundo se machuca, às vezes…”

Revelação e Metanoia

 

Num começo de tarde, lá pelo ano de 1992 eu chegava em casa. Lembro EXATAMENTE da cena: Meu irmão sentado no chão da sala.

Ele se levanta rápido e me diz: ‘Passou um clipe que você precisa ver! O nome da banda é Nirvana! Deixa ligado na MTV! Você precisa ver isso!’

Sim, ele falou com todas as exclamações acima.

Meu irmão foi para o colégio e eu deixei a MTV ligada a tarde toda. No fim da tarde, provavelmente 5 da tarde, o VJ Thunderbird apresenta o tal clipe.

Era este:

 

Vi o clipe até o fim. Fiquei completamente maluco com o que eu tinha acabado de assistir e sai de casa as pressas até a House Rock do velho Gilmar. Tinha que chegar lá ante da loja fechar.

A loja ficava numa galeria em Icaraí e tinha somente UMA escada rolante. Eu nunca havia subido aquela escada em tamanha velocidade, pois queria de qualquer forma conseguir aquele disco.

Lembro até hoje que entrei na loja esbaforido e o Gilmar falar de pronto: ‘Se tá procurando este tal Nirvana, só vai ter semana que vem!’

Eu nem havia perguntado NADA! Só que provavelmente eu deveria ter sido um entre dezenas que entravam na loja perguntando sobre  a banda.

[ UM PARÊNTESE: ]
Sei que para muitos que estão lendo este texto, não faz sentido algum  aguardar semanas para ouvir ou comprar um disco.
Só que falo de uma época em que não havia internet como temos hoje e nem downloads de músicas.
Se quisesse algo novo teria que IMPORTAR e aguardar no mínimo 15 dias para ter o CD em mãos.
Ah, sim: cada CD tinha seu valor em DOLAR! Ou seja, quando você ia comprar, tinha que calcular o valor na moeda brasileira.
Detalhe: Gilmar aceitava pagamento em dolar!
[ FECHA PARÊNTESE: ]


Voltando aquele dia: deixei meu nome na lista, que já tinha 3 páginas do caderno de encomendas,  de pessoas que aguardavam o disco ‘Nevermind’.

Sai dali e anunciei para todos os meus amigos o tal Nirvana.
Ficamos esperando a chegada do disco.
Lembro que na verdade esperei mais de um mês para GRAVAR numa fita K7 aquele disco, pois não havia nada deles lançado no Brasil e era comum na época as lojas de Rock venderem cópias em K7 dos discos.
Ou seja: pirataria sempre existiu!

Passados 20 anos, quem não viveu a época ou simplesmente não gosta de rock, pode ficar sem entender o fenômeno do grunge. Em 1991, basta conferir a lista de discos mais vendidos para entender que tempos eram aqueles para quem gostava de rock. Para minha tristeza, até o Metallica havia se vendido e feito o horrendo Black Album.

Uma simples olhada nas 10 mais da Billboard em 1991 para entender o que se passava:

1 – (Everything I Do) I DO IT FOR YOU – Bryan Adams
2 – I WANNA SEX YOU UP – Color Me Badd
3 – GONNA MAKE YOU SWEAT (Everybody Dance Now) – C&C Music Factory Featuring Freedom Williams
4 – RUSH RUSH – Paula Abdul
5 – ONE MORE TRY – Timmy T.
6 – UNBELIEVABLE – EMF
7 – MORE THAN WORDS – Extreme
8 – I LIKE THE WAY (The Kissing Game) – Hi-Five
9 – THE FIRST TIME – Surface
10 – BABY BABY – Amy Grant

De repente: um som seco, cheio de atitude, juvenil, coberto de testosterona e urgência aparece.

Houve uma resposta imediata e apartir dai um verdadeiro marco na história da música. E o resto é história…

Disso tiro uma reflexão de minha fé, pois consigo ver Cristo em todas as coisas.

Diante da revelação daquela música, mudei em muito minha vida.
Meu passado de ‘metaleiro’ e punk não foram renegados, mas os olhos foram abertos para algo maior.
Fiquei tão pasmo com o que vi, que não deixei de anunciar o que meus ouvidos ouviram.

Hoje , em 2012, repensando sobre o que encontrei em outubro de 1996. Encontrei Cristo.
Passados tantos anos, não há como negar que preciso tomar impulso para anunciá-lo com aquela força e urgência daqueles tempos.

Revelação é acompanhada de Metanóia!
E isso é diário, pois Jesus tem se revelado em pequenas coisas.
Coisas tão simples como no dia em que ouvi Nirvana pela primeira vez.

Sim, pois o que foi uma mera Graça Comum foi como uma ante-sala da Revelação dEle em 1996.

Em 1992 Kurt Cobain salvou minha vida da mesmice. Hoje Cobain, é só lembrança

Em 1996 Jesus salvou minha vida de mim mesmo. Hoje e Sempre, Jesus é meu amigo.

Glória a Cristo, SEMPRE!

Simplicidade

Sabe o cheiro de um café feito no coador de pano e tomado em xícara de metal esmaltada? Aquele cheiro que convida as pessoas para o papo pela manhã. Conversa descompromissada. Daquelas cheias de graça e risos. Feitas de um material que parece perdido na correria dos dias loucos em que vivemos?

Falo disto. Da simplicidade da vida, que tornou-se tão sofisticada que o bom tom tomou conta da originalidade pessoal. Tornamo-nos caricaturas cheias de exageros. Escondemo-nos na sofisticação que rotula e dá status. Acabamos por nos esconder no pior esconderijo que pode existir: em nós mesmos.

Com isto, nos contentamos com o rascunho aceito pela maioria.

Nos afastamos.

Parentes distantes tornam-se qualquer coisa, menos parentes.

Amigos vivem ao nosso redor! Como?

A prática moderna de amizade tornou-se a seguinte: abra seu Facebook e olhe embaixo da foto do seu perfil. Agora abra um sorriso amarelo e se alegre em ler a quantidade de amigos você tem ali!

A compensação da solidão contemporânea é premiá-lo apartir da quantidade de seguidores você tem no Twitter.

Bobagem!

Ser humano sobrevive mesmo com o contato com o outro. Contato que traz saudades. Contato que reafirma amizades. Contato que traz atritos. Contato que nem a melhor tela touch pode trazer…

Vi este clipe de Marcelo Jeneci estes dias. Enviado por um amigo real, que encontro e já temos algumas boas histórias pra contar.

No meio do clipe comecei a chorar. Sou de uma família humilde. Meus pais paraibanos deram a mim e ao meu irmão o que não tiveram oportunidade. Esforçaram-se para que a nossa história não fosse uma mera repetição de fatos. E uma das marcas de meus pais foi a da simplicidade e respeito. Não seriam os outros que diriam aonde nós poderíamos chegar.

Olhei o clipe e me lembrei deles. Olhei para aquela gente humilde, que em sua maioria são da própria família do Marcelo Jeneci, e como flashes que espocavam em minha mente revi parentes.

Revi minha avó paterna, que com seus mais de 70 anos tinha a pele de índia e cabelos compridos mantido presos em seu belo coque. Mulher guerreira que matava galinha no quintal com peixeira afiada. Mulher que honrando a tradição  indígena, gostava de comer fazendo ‘bolinhos’ com a mão.

Num detalhe revi meu avô, com suas camisas sempre bem passadas e abraços largos. Lembrei de sua risada barulhenta que sempre o fazia derramar lágrimas quando gargalhava.

Ali pude perceber que minhas tias estão vivas e nossos contatos mortos!

Em meus olhos saltaram imagens de minha mãe. Dona Salete, que sabia con-viver com sabedoria mesmo em meio as humilhações que a mesquinhez humana fazia submergir de pessoas ditas de alta classe.

Os cabelos brancos de meu pai vieram a minha mente, como se fosse um tapete para que caminhássemos e o carpe diem fez-se vivo!

Percebi que meu irmão esta indo morar em Curitiba e isso me fez chorar e sorrir.

Foi neste instante que a letra de Jeneci explodiu em meu peito:

“Tem vez que as coisas pesam mais do que a gente acha que pode aguentar.
Nessa hora fique firme, pois tudo isso logo vai passar.
Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.”

A vida é  feita de oportunidades! Jogamos fora inúmeras…

Fiz um acordo com Deus: quero deixar de jogar fora as oportunidades que surgem!
Quero a simplicidade, o contato, a vida que tem esperança na volta do sol no meio da chuva.

Como acontece no clipe há a presença do arco-íris. E lembrei-me na hora da aliança feita entre Deus e os homens de que a terra não seria mais destruida por dilúvios:

“O arco estará nas nuvens;
vê-lo-ei e me lembrarei da aliança eterna
entre Deus  e todos os seres viventes
de toda carne que há sobre a terra.”
Gn 9.17

O que eu fiz com tudo isso? A chuva sempre virá, mas não será um sinal de fim. É a oportunidade de ver o sol brilhar. E se meu peito ansioso e arredio de esperança começar a gritar, Deus sorri em forma de arco-íris avisando que o Sol da Justiça retornará!

Glória a Ele!
Vivamos a vida nEle!

John Piper não é quem vocês pensam

Estive no “Juntos em Cristo” lá no Riocentro. Entrei e logo comprei um livrinho pra prestigiar. A organização estava ótima! Ninguém queria aparecer mais que o outro, todo mundo teve voz e a FIEL detonou ao trazer John Piper para falar sobre alegria para os brasileiros.

Confesso, estava esperando um gênio estrondoso sacudir o Riocentro. Ao contrário disso, vi um coroa humilde e contrito subir a plataforma e falar das verdades da Bíblia com uma clareza fantástica. Nada novo, nada diferente. Tudo que Piper falou estamos cansados de ler na Bíblia, mas não aplicamos na vida.
Piper não é gênio. Não é um superhumano, nem tampouco uma espécie de messias dos crentes considerados “sérios”. É apenas um crente genuíno que expõe a Palavra e que se dispôs a ser relevante. Ele me mostrou que qualquer um pode pregar bem!  Como disse meu amigo João Costa “numa sociedade onde todo mundo quer ser gênio, estrela ou o melhor” John Piper prefere ser só um homem que vive o que prega. E isso faz dele o maior expoente da pregação cristã de nossos dias. Só isso!
E no mais, tudo na mais santa paz!
Márcio de Sousa
Retirado do site do próprio autor

Free hugs

Muitos já escreveram sobre o papel da afetividade no relacionamento. Não importa qual nível de relacionamento, um simples abraço desperta um gama de sentimentos que nem a mente humana pode conter.

Não é a toa que em tempo de isolamento, campanhas como o free hugs, os famosos ‘abraços grátis’, fazem sucesso em paises de culturas tão dispares quanto Brasil e Japão. Há uma espécie de ‘cultura do eu’ acima de qualquer funcionalidade que um realcionamento possa exercer. Vivemos tempos de I-pad, I-pod e afins. O eu tem comandado tudo, a solidão a dois se solidifica.

A igreja neste sentido expõe o fato de tão imersa na cultura em que vive, repete todos os sinais de sua sociedade. E isto acontece, querendo nós ou não. Não é raro as pessoas ficarem em igrejas durante anos e nunca ao menos serem inseridas na comunidade. Não é difícil ouvir casos em que membros de igrejas buscam na comunidade uma espécie de bunker que os protejam do outro. E tudo isto em meio a comunidade!

Coisas como estas, que muitos lideres querem esconder embaixo de acarpetadas catedrais, acontecem e acabam por demonstrar o óbvio: estamos deixando de viver a igreja como comunidade!  A igreja deve e muito ultrapassar o fato de ser uma reunião de pessoas de culturas diferentes que se isolam em guetos dentro do próprio gueto. A argumentação isolacionista, que parece querer perpretar a inutilidade da vida comunitária da igreja, não consegue perceber que isto na verdade é uma aniquilação do porque existe a própria igreja.

Todos os dias da semana pela manhã em minha igreja acontece uma reunião de oração. Lá uma irmã querida, que com seus mais de 80 anos de idade, consegue encarnar em seus passos pequenos e firmes o ideal de afetividade comunitária. Um simples abraço daquela querida irmã, traz consigo uma vontade de repetir com todos os outros irmãos da fé aquele gesto. Um abraço encorpado de amor, cuidado e carinho sinceros. Um simples e profundo abraço. Hoje pela manhã uma outra senhora que ainda estava sob o luto da perda de seu querido marido foi abraçada de uma forma terna por esta querida irmã. Apos o rolar de uma lágrima, esta senhora falou: “Querida, como eu gosto de ser abraçada por você. Quando você me abraça me sinto consolada por Jesus.”

Fiquei parado diante de tal cena. Minha mente e coração entraram em ebulição por começar a refletir se meu carinho e cuidado por meus irmãos chegam aquele nível de simplicidade e verdade de um mero abraço. Lembrei-me das palavras de nosso Senhor de que ele está conosco até a consumação dos séculos. E como creio que Ele esta conosco, será que eu tenho sido um expressão do Amor dEle por mim aos meus irmãos?

Será que o afeto que tenho por eles tem sido verdadeiro e expressão de minha comunhão com Cristo? Ou tenho sido mero repetidor da cultura do eu, deixando de ser benção na vida de tantos que precisam ser consolados, amados e encorajados viverem a sombra de Cristo?

Estas respostas vou aprendendo e caminhando.

E te convido a caminhar esta estrada COMIGO pois cristianismo se faz junto!

Nunca separados!

Enquanto caminho…

Tenho pensado muito sobre a maturidade. Acho que aos 34 anos comecei a ver a vida de outra forma. Não que tenha me tornado um expert em maturidade, muito pelo contrário. Só que algumas coisas tem que inquietado.

Sei que para muitos este estágio chega antes. Para outros a vida tem sempre ar de brincadeira, com as infantilidades que não são mais cabíveis em virtude da avançada idade.

Maturidade não é algo fácil ou mesmo instantâneo. Vai se chegando como num vinho que com o tempo torna-se encorpado. Os sabores vão se tornando mais nobres e o frescor se mantém. Isso só com o tempo, muito tempo.

Não sei porque brigamos muito com a maturidade. Provavelmente é porque muitos a tem como sinônimo de velhice, cabelos brancos ou coisas que se pareçam com a imagem já a tanto desenhada do que seria um homem ou mulher madura.

Só que muitos lutam com garras afiadas contra esta fase da vida. Acham-se imortais, mitos ou acima de qualquer forma de sabedoria que só o tempo pode dar. Acreditam estar no patamar de seres sagrados, que tem a vida como sua criação e moldura. Esquecem que qualquer queda tudo vai à ruína.

Pego-me sentado na cama vendo no espelho meus ainda ralos cabelos brancos e chego a conclusão que a vida passa e o que passou passou. Não adianta querer viver o que já passou. Ai tenho que concordar com o filósofo: não há como passar pelo mesmo rio duas vezes. As águas são outras. A vida é outra!

Seria até mesmo absurdo eu querer voltar a vestir-me como punk que era em minha adolescência. Ou mesmo acreditar nas doutrinas socialistas em pleno século XXI. Ou mesmo acreditar que as pessoas de minha juventude fossem melhores do que as de hoje.

A vida segue. Cristo me converteu há exatos 13 anos… Muita coisa já rolou. Ele resgatou este cara com barba grisalha de apenas 34 anos. Não tenho porque olhar pra trás mas seguir em frente, sabendo que o melhor ainda esta por vir. Que Ele comanda minha vida e tem todos os meus dias contados.

Olho para o meu lado e vejo como sou feliz. Minha esposa me completa. Não sou rico e nem tento sê-lo. Não tenho porque viver a vida querendo ser um Peter Pan como tenho visto em muitos cantos.

Acredito que cada fio branco não é pigmento de meu cabelo que se vai, mas a certeza que os anos passam e que não posso viver como se estivesse com 18 anos. Maturidade é algo que ultrapassa o símbolo de velhice anunciada, mas a certeza que a vida deve ser pensada e vivida ainda mais. Cristo nos deu vida em abundância!

Por isso tenho tentado viver apartir desta parte das Escrituras e não abro mão disto:

“Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe gostosamente o teu vinho, pois Deus já de antemão se agrada das tuas obras. Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes, e jamais falte o óleo sobre a tua cabeça. Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol; porque esta é a tua porção nesta vida pelo trabalho com que te afadigaste debaixo do sol.”

Eclesiastes 9.7-9

Maturidade é ser sábio, prudente e cheio de temor e amor de Deus enquanto se caminha nesta terra que cheira maldade.

Nisto eu dou minha vida!

Conversão…

Raridade hoje?
Raridade hoje?

Conversando com amigos de ministério no último sábado, um assunto veio a mesa e até agora não me sai da cabeça. Na verdade não tem me saído da cabeça já há alguns meses. Infelizmente a igreja protestante tem deixado de ter em suas fileiras homens e mulheres convertidos. Se assustou? Eu também…

O Senhor Jesus me converteu em outubro de 1996. Lembro que foram alguns meses de luta interna, pois não me parecia o melhor caminho a seguir, mas a sua irresistivel Graça alcançou-me naquele começo de outubro. Lembro que naquela madrugada de sábado para domingo, eu cai em tremendo choro em meu quarto diante de algo belo e vivo. Não tinha como voltar atrás, fui alcançado com um amor e certeza de não poder andar pelos caminhos que andava antes. No domingo eu queria ir até a igreja, reunir-me com meus irmãos, cantar aqueles cânticos que naquele instante passaram a ter real sentido e ao mesmo tempo declarar ao mundo que eu pertencia ao Senhor Jesus.

A metanóia estava instaurada: não podia viver do mesmo jeito que vivia. Isto já começou no primeiro dia da conversão. Sem saber nada de Bíblia, uma coisa eu tinha certeza: a vida com Cristo deveria ser uma nova vida!

No processo soberano da conversão, o Senhor usa a pregação da Palavra. A forma inteligível de entendimento do texto bíblico. Dizer o que o texto diz é uma forte arma argumentativa, mesmo sabedores que Deus usa a revelação apartir dEle mesmo para que o homem natural possa ter a neblina que o cega retirada.

E muita coisa tenho visto na igreja. Não só eu tenho visto, mas o mundo tem visto. E até o momento não vi a igreja ser foco das atenções por estar pregando a Palavra centrada nas Escrituras, com boa doutrina e vida ética. As manchetes chamam mais atenção pelo lado obscuro e vida destituída da ética/moral cristã.

E neste bonde as igrejas estão abarrotadas de pessoas que não tem tido muito tempo para mudar suas vidas pela transformação do Evangelho genuíno.

Nunca pensei que diria isto: tenho saudades do tempo em que uma pessoa entrava na igreja e algum tempo depois você quase não a reconhecia pois ela havia se transformado numa nova criatura…

Esta afirmação não passava em minha cabeça, pois simplesmente esta deveria ser o normal na comunidade da fé. Mesmo que em nosso meio sempre existiu – e existirá- pessoas simpatizantes ou que precisam de uma ajuda religiosa, o número de convertidos hoje é menor do que muitos pensam.

Ai fica o desafio para os que não desistiram da igreja:
– Buscar a genuína pregação da Palavra;
– não se envergonhar de usar a mente que o Senhor nos deu e PENSAR a fé;
– Entender que estudar doutrina é algo necessário e deve fazer sentido na nossa prática diária;
– Não dividir a vida em departamentos, mas viver a fé no dia a dia;

Fica ai uma das músicas mais lindas sobre conversão que já ouvi:

Já perceberam que nem sobre a conversão cantamos mais?
Qual foi a última vez que você cantou junto com os irmãos um cantico que fala sobre conversão?

Agora é com vocês!

Comentem!

A revogação do inferno

João Heliofar de Jesus Villar*

Phillip Roth é hoje um dos mais respeitados escritores nos Estados Unidos. Frequentemente seu nome é mencionado nas cogitações do Prêmio Nobel de Literatura. Num estilo seco, agradável de ler, em histórias que sempre tem como pano de fundo a realidade judaica americana, seus romances ganharam o mundo.

Em sua última obra, “Indignação”, o autor narra a saga de um jovem judeu, filho de um açougueiro kosher, que, durante a guerra da Coreia, consegue se livrar do alistamento, mantendo-se na universidade. Porém, inscrito em uma instituição cristã profundamente conservadora, o aluno se vê sob o risco de expulsão continuamente, pois não aceitava as restrições impostas pela faculdade, especialmente o dever de frequentar cultos semanalmente. O romance gira em torno dessa tensão; isto é, o aluno, que sustentava sua rebeldia como uma questão de honra, equilibrava-se numa corda bamba, pois, caso fosse expulso, teria de enfrentar as trincheiras geladas da guerra do extremo oriente.

A história constitui pano de fundo para mais um ataque cruel ao cristianismo e revela como o caldo de cultura ocidental está cada vez mais hostil à fé. Mesmo um autor sofisticado como Roth não consegue vencer a tentação de passar uma visão maniqueísta do confronto do jovem rebelde com a direção de uma instituição cristã.

Num diálogo com o diretor da faculdade de direito (um “apaixonado por Jesus”), o jovem judeu afirma com grande orgulho que é ateu e que Bertrand Russel já havia demonstrado suficientemente a total falta de lógica dos argumentos a favor da existência de Deus, na obra “Por que não sou cristão”. E acrescenta que Russel teria afirmado com toda propriedade que Jesus não poderia jamais ser tido na conta de um bom mestre, tendo em vista os seus ensinos sobre o inferno. A doutrina do inferno seria completamente inaceitável, suficiente para arruinar a reputação de Cristo, por mais elevados que fossem os demais ensinos éticos firmados nos evangelhos. Diante desse ataque, o diretor da faculdade de direito se limita a fazer ataques à conduta pessoal de Bertrand Russel, que seria uma figura amoral, adúltero etc. Do ponto de vista racional, porém, suas críticas seriam irrespondíveis.

A história se passa nos anos 50, mas é bastante atual, com a diferença de que hoje, nas universidades, a posição dominante é a do herói de Roth, especialmente no corpo docente. E a tendência de hostilização intelectual é tão forte e crescente que intimida abertamente os cristãos mais ortodoxos.

Uma prova de que a intimidação já chegou ao centro da igreja é o silêncio envergonhado nos púlpitos a respeito do inferno. Se hoje Jonathan Edwards pregasse “Pecadores nas mãos de um Deus irado” em qualquer lugar, perderia imediatamente seu cargo de reitor da Universidade de Princeton, seria escorraçado da igreja, e ninguém mais ouviria falar no seu nome. Talvez os conceitos de Russel a respeito do tema tenham se infiltrado no inconsciente cristão de tal modo que ninguém consiga tratar do assunto sem suscitar em si um profundo sentimento de culpa diante do ouvinte secular.

Na verdade, se fosse possível, talvez convocássemos um concílio para revogar o inferno por algum tipo de decreto a fim de que fosse declarada a paz com a modernidade e ninguém falasse mais nisso. Falaríamos apenas em amor, graça e tolerância, temas tão caros à piedade moderna. Que o inferno vá para o inferno. Talvez ficasse difícil explicar para quê serve a salvação — seremos salvo do quê, exatamente? Mas, por certo, teríamos um verniz intelectual muito mais elegante perante nossos interlocutores seculares. Afinal, não é a eles que devemos agradar?

• João Heliofar de Jesus Villar, 45 anos, é procurador regional da República da 4ª Região (no Rio Grande do Sul) e cristão evangélico.

Fonte: Revista Ultimato

Eu vi um “apóstolo”…

Os doze apóstolos
Os doze apóstolos

Fomos a uma pizzaria comemorar o aniversário de uma querida amiga. Estávamos à mesa com um grupo de nossa igreja. Todos alegres, contando piadas, rindo da vida e cheios de comunhão uns com os outros. Na nossa mesa nada diferenciava ninguém. Não importava se estavam ali pastores, seminaristas, pessoal do louvor, missões ou qualquer departamento de nossa igreja. Nós percebemos a vida não departamentalizada: todos somos pecadores e precisamos de Cristo e um dos outros.

Estava conversando com um querido amigo na mesa e me perdi pensando que ali estava um grupo de pessoas que amam a Cristo e O servem na vida. Com suas qualidades e defeitos. Conversando de todos os assuntos possíveis e em nada diferenciando-se do restante das mesas. Eu agradeci a Deus por fazer parte de um grupo assim. Pessoas que se sabem gente e vivem como gente. E não como robôs da fé.

De repente vejo minha esposa falando com duas senhoras muito simpáticas. Eram companheiras de meus sogros na caminhada da fé. Há muito tempo conhecem a família de minha esposa. Estavam animadas e sorridentes. Minha esposa veio apresentar-me a elas e continuei percebendo a simpatia delas. A senhora mais velha apresentou-me a filha, uma mulher de uns 50 anos. E não deixou de falar com muito orgulho sobre a filha e do genro:
“Esta é minha filha. Ela é bispa e meu genro é apóstolo. Ele esta ali no caixa pagando a conta!”

Eu gelei de cima a baixo… Comecei a perceber um enorme abismo diante daquela mesa e a mentalidade da maioria das igrejas evangélicas brasileiras. Nossa mesa não era melhor ou formado por excelentes cristãos! Sei das nossas fraquezas! Mas exatamente por isso fiquei perplexo olhando aquela senhora que era bispa(episcopisa seria o correto). E fiquei triste observando ao longe um homem de meia idade, que foi colocado no patamar de apóstolo.

Naquele momento lembrei-me do que faz alguém um apóstolo e porque a igreja parou em Paulo como o último apóstolo legítimo diante da igreja. Depois disto não há um apóstolo legítimo sequer, mas somente um “cargo” eclesiástico qualquer. Afinal em algumas igrejas pelo mundo existem até cursos e diplomas de apóstolos!

A igreja reconhecia um apóstolo nos seguintes termos:
Foi escolhido e enviado pelo Senhor:  Lc 6.13;  Jo 6.70;  At 9.15; 22.213.
– Testemunhou Sua ressurreição: At 1.22;  1 Co 15.8,15
– Lançaram e formaram o alicerce da Igreja, da qual Jesus é a Pedra angular: 1 Co 3.10;  Ef 2.20

Olhando para aquele homem, que nem conheço, fiquei constrangido e indignado com o que muitos tem feito em nome de títulos e honrarias humanas. Não conheço o ministério e nem o coração daquele homem, mas não tenho como me calar diante de tal maluquice moderna.

Bom… Eu acredito em mudanças de vidas. Se isto for milagre, ok? Acredito em milagres e não me sinto bobalhão por isso. O que peço a Deus é que tire dos olhos daquele homem e família esta mentira vendida por sórdida ganância de poder! Que ele não se apresente num futuro próximo como apóstolo, mas como servo humilde de Cristo.

Ta aí… Será que se seminários teológicos deixassem de entregar um diploma e os formandos recebessem um abraço e imposição de mãos, tais instituições de ensino ficariam lotadas? Ao invés de um diploma, os formando recebessem a recomendação de serem humildes servos de Cristo, como seria a realidade da igreja formada por estes homens?

Sei que estou sendo simplório em minha reflexão, mas o que você pensa sobre este assunto?

Use os comentários e expresse sua opinião!

Naquele que nos une!