The book is on the table…

Hoje fui até uma livraria católica a procura de um livro. Chegando na livraria fiquei procurando o livro e ao mesmo tempo pesquisando novos títulos. Em determinado momento o vendedor e uma cliente estavam conversando alto, bem ao meu lado e não pude deixar de ouvir a conversa.

A senhora estava a procura de um livro e um cd de um padre. Na loja não havia nenhum exemplar dos produtos procurados por ela. Ela seguiu perguntando onde havia outra livraria católica onde poderia adquirir o que tanto queria. O vendedor informou que aquela era a única livraria católica da cidade. A idosa lamentou o fato e ainda argumentou que havia um monte de livrarias evangélicas e somente uma católica. Ai, o vendedor falou com desdém: “E nas livrarias evangélicas a senhora só vai encontrar Malafaia, Edir Macedo e similares!”

Ai, não me contive. Tentei, confesso, mas não me contive e tive que intervir na conversa de forma carinhosa e amável: “Só uma coisa: realmente tem muita porcaria nas livrarias evangélicas, mas nem tudo se resume a estes que você citou. Tem coisa boa!”

A senhora respondeu afirmativamente, concordando com minhas palavras. O vendedor fechou a cara e simplesmente respondeu que a senhora não acharia o que procura por lá. Sorri e continuei a minha procura na loja. Não era caso para discutir, mas de informar.

Fiquei pensando logo depois sobre a afirmação do vendedor. Realmente ele não deixou de ter razão no que ele falou. Há milhares de livros que prejudicam muito a fé de tantos que sinceramente se achegam ao Senhor. Há que se ter muito cuidado quando se entra numa livraria evangélica. Muitos compram a lista dos “10 mais” e deixam de se aprofundar em sua fé porque só procuram os ‘ventos de doutrina’ que abatem a igreja atual.

Só que ao mesmo tempo, numa simples visita podemos adquirir obras de gente como J.I. Packer, John Stott, Eugene Peterson, Richard Foster, William Hendriksen, Martin Lloyd-Jones, Jürgen Moltmann, Allister McGrath, Karl Barth, João Calvino e tantos outros autores que me auxiliaram a perceber que a fé cristã é prática e profunda.  Entre os brasileiros temos em muitas estantes nomes de peso como Ricardo Barbosa, Russel Shedd, Robinson Cavalcanti, Ariovaldo Ramos, Heber Campos, Augustus Nicodemus, Renato Vargens e outros tantos!

Homens que regaram as raízes da fé de tantos homens e mulheres de Deus na história da igreja. Que em seus escritos nos inspiraram a sermos mais parecidos com nosso Senhor. Temos estes e tantos outros escritores que estão em algumas estantes nas livrarias evangélicas, mesmo que num canto escondido, auxiliando a nossa caminhada cristã. Infelizmente, não estão na lista dos mais vendidos, mas estão lá a disposição de quem possa adquiri-los.

Lembro sempre de uma frase: “Livros não mudam o mundo, mudam pessoas”. A cada dia estou convicto disto! Se em nossas livrarias a coisa não está fácil, isso não quer dizer que não há nada bom. Sempre há! Basta procura, pesquisa e conversa com pessoas mais experientes na fé. Antes de comprar, não custa nada perguntar.

Bom, é isso!

Feliz Natal a todos!

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Pedras clamando…

Sensato, sincero e sensível! Ótima percepção do mal que tem atingido a igreja em cheio!
Pena não ter nascido da reflexão de um dos nossos… Pelo menos que eu saiba!

Os negritos são de meu próprio punho!

Direto da Folha de São Paulo, como um verdadeiro soco na boca do estômago:

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Neopaganismo evangélico

Estava passeando pela TV quando dei com um culto da Igreja Mundial do Poder de Deus. Teria rapidamente mudado de canal se não tivesse acabado de ler o interessante livro de Ronaldo de Almeida, “A Igreja Universal e seus Demônios – Um Estudo Etnográfico” [ed. Terceiro Nome, 152 págs., R$ 28], que me abriu os olhos para o lado especificamente religioso dos movimentos pentecostais. Até então, via neles sobretudo superstição, ignorando o sentido transcendente dessas práticas religiosas.

No culto da TV, o pastor simplesmente anunciou que, dado o aumento das despesas da igreja, no próximo mês, o dízimo subia de 10% para 20%. Em seguida, começou a interpelar os crentes para ver quem iria doar R$ 1.000, R$ 500 e assim foi descendo até chegar a R$ 1.

Notável é que o dízimo não era pensado como doação, mas simplesmente como devolução: já que Deus neste mês dera-lhe tanto, cabia ao fiel devolver uma parte para que a igreja continuasse no seu trabalho mediador. Em suma, doar era uma questão de justiça entre o fiel e Deus.

Em vez de o salário ser considerado como retribuição ao trabalho, o é tão só como dádiva divina, troca fora do mercado, como se operasse numa sociedade sem classes. Isso marca uma diferença com os antigos movimentos protestantes, em particular o calvinismo, para os quais o trabalho é dever e a riqueza, manifestação benfazeja do bom cumprimento da norma moral.

Se o salário é dádiva, precisa ser recompensado. Não segundo a máxima franciscana “é dando que se recebe”, pois não se processa como ato de amor pelo outro. No fundo vale o princípio: “Recebes porque doastes”. E como esse investimento nem sempre dá bons resultados, parece-me natural que o crente mude de igreja, como nós procuramos um banco mais rentável para nossos investimentos.

O crente doa apostando na fidelidade de Deus. Os dísticos gravados nos carros, “Deus é fiel”, não o confirmam? Mas Dele espera-se reciprocidade, graças à mediação da igreja, cada vez mais eficaz conforme se torna mais rica. Deus é pensado à imagem e semelhança da igreja, cujo capital lança uma ponte entre Ele e o fiador.

Anticalvinismo
Além de negar a tradicional concepção calvinista e protestante do trabalho, esse novo crente não mantém com a igreja e seus pares uma relação amorosa, não faz do amor o peso de sua existência.

Sua adesão não implica conversão, total transformação do sentido de seu ser; apenas assina um contrato integral que lhe traz paz de espírito e confiança no futuro. Em vez da conversão, mera negociação. Essa religião não parece se coadunar, então, com as necessidades de uma massa trabalhadora, cujos empregos são aleatórios e precários?

Outro momento importante do livro é a crítica da Igreja Universal ao candomblé, tomado como fonte do mal. Essa crítica não possui apenas dimensões política e econômica, assume função religiosa, pois dá sentido ao pecado praticado pelo crente. O pecado nasce porque o fiel se afasta de Deus e, aproximando-se de uma divindade afro-brasileira, foge do circuito da dádiva. Configura fraqueza pessoal, infidelidade a Deus e à igreja.

Nada mais tem a ver com a ideia judaico-cristã do pecado original. Não se resolve naquela mácula, naquela ofensa, que somente poderia ser lavada pela graça de Deus e pela morte de Jesus, mas sempre requerendo a anuência do pecador.

Se resulta de uma fraqueza, desaparece quando o crente se fortalece, graças ao trabalho de purificação exercido pelo sacerdote. O fiel fraquejou na sua fidelidade, cedeu ao Diabo cheio de artimanhas e precisa de um mediador que, em nome de Deus, combata o Demônio. O exorcismo é descarrego, batalha entre duas potências que termina com a vitória do bem e a purificação do fiel.

Paganismo
Compreende-se, então, a função social do combate ao candomblé: traduz um antigo ritual cristão numa linguagem pagã. Os pastores dão pouca importância ao conhecimento das Escrituras, servem-se delas como relicário de exemplos. Importa-lhes mostrar que o Diabo, embora tenha sido criado por Deus, depois de sua queda se levanta como potência contra Deus e, para cumprir essa missão, trata de fazer o mal aos seres humanos.

O mal nasce do mal, ao contrário do ensinamento judeu-cristão que o localiza nas fissuras do livre-arbítrio. Adão e Eva são expulsos do Paraíso porque comeram o fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal e assim se tornam pecadores, porque agora são capazes de discriminar os termos dessa bipolaridade moral.

Essa teologia pentecostal se aproxima, então, do maniqueísmo. Como sabemos, o sacerdote persa Mani (também conhecido por Maniqueu), ativo no século 3º, pregava a existência de duas divindades igualmente poderosas, a benigna e a maligna. Isso porque o mal somente poderia ter origem no mal. A nova teologia pentecostal empresta o mesmo valor aos dois princípios e, assim, ressuscita a heresia maniqueísta, misturando o cristianismo com a teologia pagã.

José Arthur Giannotti, na Folha de S.Paulo.


Direto do Pavablog

Reforma, Sociedade e Educação

por Ana Paula Gurgel – Leia seu Blog!

A história da Reforma Protestante revela sua preocupação com o ensino, não apenas religioso mas focando a formação integral do cidadão tendo sua base nos princípios éticos cristãos.

Um povo esclarecido melhora suas relações pessoais e de trabalho. Um povo convertido traz em sua formação a ética (ou deveria trazer) a fim de tornar as relações mais sadias e melhores.

Ouvi de uma amiga que o encanto da religião muçulmana sobre as sociedade tem se dado devido a forma relacional de valor uns dos outros a mesa, ao contar histórias, compartilhar e acolher… Engraçado, outrora ouvi que isto marcava o Cristianismo, mas parece que hoje não mais! Por quê?

Quando deixamos de lado o real valor do Cristianismo que é nosso encontro com Cristo que nos leva a uma nova relação de vida integralmente passamos a vivenciar o interesse econômico ou de barganha que a “fé” vem espalhando.

O que há com a reconstrução de vidas, começando pela minha que encontrei Cristo? Este encontro deve levar-me ao encontro de outros a fim de seu benefício, a fim de um maior desenvolvimento, não apenas relacional mas social, familiar, profissional, espiritual. Ou seja, todo o ser.

Nos escondemos em redomas de tijolos, ditas igrejas e nos pomos a orar de joelhos por bençãos individuais e egoístas e não mais relacionais!! (orem pelos reis! – hoje nossos governantes)

Pergunto novamente, o que retemos de nosso encontro pessoal com Cristo que nos leve ao próximo, ao outro, a nós mesmos de forma a traçarmos uma reconstrução de nossa sociedade?

Se é bom pintor, pinte com graça e cada vez melhor! Se é bom escritor, escreva com graça cada vez melhor! Se é bom professor, ensine com graça, cada vez melhor … e se já faz o seu melhor, mantenha!  Sem utopismo mas com eucaristia, com graça!

Ainda estou construindo o pensamento e escrevo esta linhas para mim também, pois sei que preciso lembrar disso a cada instante do meu dia quando sou tentada a esquecer de todo o resto e focar apenas em mim.

I João 1 diz “… sim, o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que vós também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo. … Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, mentimos, e não praticamos a verdade; mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado.”