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Hoje completam 40 anos do lançamento de “Abbey Road” dos Beatles. E em comemoração a tal fato histórico, milhares de pessoas foram até a frente do mítico estúdio para terem a oportunidade de tirar uma foto igualzinha a capa do penúltimo disco oficial do Fabfour.  Fiquei sentado olhando aquela cena com uma vontade enorme de tirar uma foto ali. Na verdade este foi um sonho que sempre nutri.

Quem me conhece sabe que minha banda predileta é o The Who. Nunca escondi isto de ninguém, mas os Beatles estão entre as 5 que mais me emocionaram e fizeram deste humilde ouvinte um grande apreciador do rock. Gosto muito dos Beatles. Os quatro garotos de Liverpool acompanham minha vida desde meus 12 anos quando ouvi o disco “A hard day’s night”. Disco simples, infantil e ousado! Todo mundo canta junto.

Ai os caras foram amadurecendo, foram se entregando ao mundo próprio das composições e lançaram verdadeiros marcos históricos em forma de discos. A trinca imperdível Rubber Soul(1965), Revolver(1966) e Sargeant Pepper(1967); definem o som dos Beatles: criatividade em arranjos e letras, tudo harmonizado pelo mestre/maestro George Martin.

Este disco que agora completa 40 anos mostra o amadurecimento de McCartney como letrista e arranjador que seguiu em sua carreira solo. Lennon também já dá demonstrações de que tudo caminha para uma ruptura com os companheiros.

Sei que se passaram 40 anos e muitos querem fazer o caminho dos Beatles: atravessar a rua e ter esta imagem imortalizada em uma foto. Tudo igual a capa do magistral álbum. Sei que eu fiquei, como já disse anteriormente, com a vontade de ter esta oportunidade um dia. De esperar o sinal fechar e pedir para alguém registrar o momento: eu, minha esposa e filhos atravessando aquela já desgastada faixa de pedestres. Colocar o quadro com a foto do tamanho de um vinil na sala e ficar olhando para ele de vez em quando. Isso seria legal, sabiam?

Ao mesmo tempo me peguei pensando sobre um outro caminho e fiquei intrigado. Jesus andou por este mundo e fez tantas coisas que neste terra não caberiam a quantidade suficiente de livros contando todos os fatos (Jo 21.25). Naquele momento fiquei olhando minha velha Bíblia, já surrada, e fiquei imaginando algo como a capa de “Abbey Road”.

Será que tenho olhado para ela com vontade de (re)viver tudo que ela diz? Não falo de forma legalista/moralista, mas de ter o prazer de refazer os caminhos do Mestre. De olhar para a mensagem de Cristo e ter nela a inspiração para a vida. Tudo isto da forma devida, sem ranços religiosos ou libertinagem. Tendo o foco nos pés do Mestre, em suas pegadas e palavras. Tudo isto moldando minha vida e de minha família.

Fiquei pensando novamente… Pensamentos que vão e vem a mente…

Como seria legal ter um quadro de minha família, incluindo os filhos que ainda não tenho, numa imitação da capa do clássico disco dos Beatles. Como seria bacana! Contudo, como quero que minha família tenha nos passos de Cristo sua inspiração. Uma família de imitadores do Cristo! Que ama a vida, tanto ama que a dá a própria vida por amor dos seus! Que olha o outro com amor e compaixão! Caminhando na vida, sentindo o mesmo calor e tendo convicção que há mudança espiritual e social por onde quer que passemos. Caminhar como Ele faz todo o sentido!

Tudo isto eu vi através de uma pequena faixa de pedestres. Tudo isto fez real sentido nas palavras daquele que atreveu-se a dizer que Ele era o único Caminho, Verdade e Vida. Nisto ele foi mais radical do que os Beatles. Nisto ele foi mais inspirador que toda a música. E nisto ele foi mais que poeta! Foi e é o único sentido de se atravessar esta vida para a vida eterna!

Á Ele toda Honra e Louvor!

Estes dias li sobre uma mulher que viveu no segundo século chamada Blandina. Pouco se sabe da vida dela, como vivia ou o que fazia. O que sabemos com certeza é que ela era cristã. Os cristãos que vivam nas cidades de Lion e Viena, localizadas na Gália, sofreram forte perseguição do império romano. Em pouco tempo as celas estavam abarrotadas de cristãos.

Nos julgamentos eram pedidos aos da fé que negassem seu Senhor e que adorassem aos deuses e a figura do imperador. Os que se negavam eram mortos em todo tipo de sórdida tortura. Se é que existe tortura que não seja sórdida. Entre os muitos mártires, estava Blandina.

Os documentos que restam, falam dela como uma mulher frágil.  Muitos irmãos temiam esta fragilidade física, por que ela seria alvo fácil dos verdugos. Ledo engano: no momento em que foi torturada não negou seu Senhor de tal modo que os verdugos se alternaram nas torturas. E ela se mantendo firme! Quando vários irmãos foram levados circo para morrerem devorados pelas feras, a penduraram num madeiro e em meio as dores ela conseguiu ter forças para encorajar o que iriam ser mortos a manterem-se fiéis a Quem tinhas lhes dado vida. Os outros morreram, mas as feras não a tocaram.

Diante de tanta força, os verdugos a levaram de volta as torturas físicas em frente ao público: a açoitaram, jogaram cães para a morderem, fizeram-na assentar numa chapa de ferro quente. Por fim a amarraram a uma rede e fizeram com que um touro bravo a chifrasse.

Além de estar completamente moída os verdugos e oficiais a obrigavam a negar sua fé. Ela no fio de voz que sobrava dizia que a morte não tinha lugar em sua vida, pois o Senhor havia vencido a morte por ela. As autoridades sem ter o que fazer, mandaram degolar Blandina.

Sei que o retrato exposto aqui é chocante. Torturas extremas, sangue e uma frágil mulher resistindo a tudo e todos em nome do Senhor.

E querem saber… Senti-me envergonhado lendo este relato de Blandina. Olhei para minha vida e fiquei pensando qual o valor que dou ao meu Senhor? Daria minha vida assim?

Olhei para a igreja evangélica brasileira de hoje e pensei: “Será que existem Blandinas?”. Quero crer que sim, mas confesso que olhando a apatia geral me parece que inclusive muitos ao lerem um relato destes acabem desconfiando da veracidade dele.

Principalmente porque um remédio, muito mal receitado inclusive, que as igrejas andam prescrevendo por ai é o caminho da prosperidade e do não sofrimento. Como se isto fosse uma promessa divina. Não é de se estranhar que muitos incrédulos estão do nosso lado e não tem nada de mudanças internas em suas vidas. No máximo mudanças externas, seja no “igrejês” ou no vestuário.

Como seria uma Blandina vivendo nos dias atuais… Acho que no mínimo não se calaria sobre esta vergonha em nome do Senhor que tanto amava e que ela preferiu a morte do que negá-lo. Acredito que ela com toda a firmeza e amor não se calaria diante de tanta forma expúria de viver o Evangelho tão valioso de Cristo. E novamente me envergonho de mim mesmo por reclamar e até mesmo negá-lo com meus gestos e atitudes em vários momentos de minha vida.

Blandina me ensinou que Cristo é a pérola de Grande Valor que o texto de Mateus 13.46:  aquela pérola que fez um negociante vender tudo, pois esta pérola era a razão de se ter perólas! E as outras pérolas perderam todo o brilho: só esta pérola de grande valor é que valeria a pena ter.

Jesus é esta pérola e se você que lê este texto não O entende assim, acho que deveria rever sua fé…

Hoje com Blandina eu comecei a rever a minha: ele é a RAZÂO do meu viver e do meu morrer.

Mais uma vez: obrigado Blandina!