Reginaldo Rossi

Sou filho de paraibanos. Os amigos de meus pais, em sua maioria, eram nordestinos. Cresci ouvindo música popular. Coisa que os ditos intelectuais chamam de música brega. Eu não me envergonho disto, bobagem de quem se acha menor por ter crescido em um ambiente que abarca manifestações artísticas de toda ordem.

Existe uma localidade em Niterói chamada Ititioca, uma quase embaixada do Nordeste na cidade na década de 80. Andando pelas ruas, em cada casa ouvia-se um dos pilares da música popular num volume mais alto que o outro. Músicas que enchiam as salas seja com simples violão, sanfona, flauta ou bater de palmas.

Em meio a esta sinfonia ouvia-se muito Reginaldo Rossi. E em minha mente estão registradas diversas canções. Inclusive as letras, mesmo que muitas capazes de fazer corar os cristãos mais ortodoxos.

Acaba de sair na imprensa que o cantor pernambucano faleceu vítima de um câncer no pulmão. De alguma forma, ele era a voz do povo simples e que se reconhecia em suas letras. Amores de verão, separações, saudade de sua terra ou simples nostalgia por um tempo que se passou. Enfim… o vazio que o ser humano carrega e busca ser preenchido.

Conheci muitos que ouviam suas canções em momentos de tristeza e se afundavam em tudo que pudesse ‘encharcar’ a alma vazia e sedenta. Seja em bebida ou mesmo num silêncio torturante de saudade em que os olhos descreviam cenários que hoje pareciam distantes. Sobrava o brilho da retina em olhos avermelhados.

Nisto somos todos iguais. Os que ouvem músicas populares ou aqueles que se entristecem por ouvir poemas tocantes de um Chico.

Há uma imensa saudade em nosso ser.
Eu chamo isto de saudade do Céu. De um Encontro. De Plenitude.

Encontrei isto em Jesus. E mesmo ouvindo musicas com tons e cores melancólicas, consigo enxergar que a saudade que este coração ainda sente, não esta localizada em coisas ou pessoas. Em Cristo, me vejo, num forte abraço com o sentido de TUDO!

Que o Senhor console a família de Reginaldo Rossi!

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Forasteiro

Acaba de ser lançado o primeiro single do grande Samuel Úria. O single chama-se ‘Forasteiro’ e em minha opinião é uma das melhores canções lançadas por ele!

Segue ai o video oficial da canção e a letra(enviado pelo próprio Samuel) para ouvirmos mais e mais!

 

Forasteiro

Se o mundo é uma pedra de tropeço, eu arremesso-o
E ofereço a esfera ao espaço, está suspenso o meu apreço.
Se o mundo me merece tanta prece, nem por isso
A mundos dou interesse, nem a crises dou acesso.

Se o mundo é uma bolha de lamento, eu arrebento
E tento não estar dentro se se encontra em pronto pranto.
Se o mundo não demora, que a agrura morra agora
E eu choro com quem chora pra os pescar do mundo fora.

Não não não tenham medo
Que o mundo foi vencido
E eu sou aliado.

Não não não tenham mundo
Que o medo foi criado
E eu sou doutro lado.

Se o mundo é só um espelho do que eu valho, então trabalho-o,
Definho o grilho velho que ainda escolho quando falho.
Se o mundo é só a mágoa com que meço, então despeço-o
E regresso ao troço estreito exterior ao Universo.

Tresmalho o rebanho,
Aqui eu sou estranho.
Minha marcha é recta;
A vida é rotunda.
O que não me afecta
Já não me afunda.

Não não não tenham medo
Que o mundo foi vencido
E eu sou aliado.

Não não não tenham mundo
Que o medo foi criado
E eu sou doutro lado.

“Deixa ir os meus Músicos!”

Hoje no facebook, vi uma dica do Jonas Madureira.

Parei tudo e fui ler. Li e resolvi postar aqui em meu blog, pois assim como Guilherme de Carvalho cansei-me de tanto blá-blá-blá.

São sempre as mesmas estapafúrdias desculpas para nossa letargia e preguiça criativa.

Cansei-me de toda esta cultura pobre e repetitiva dos evangélicos brasileiros que tem um medo enorme do diálogo.

Parece-me que ficarei com os cabelos completamente brancos, se o Senhor permitir que viva pra isso, e ainda estarei sentado ouvindo jovens com medo de ir para o mundo

Deus irá cobrar isto! Cobrará a preguiça intelectual e devocional que aprisiona meus irmãos no medo de testemunhar o Autor da Vida na vida cotidiana!

Leiam o maravilhoso texto de Guilherme de Carvalho, intitulado: “Deixa ir os meus Músicos!”

 


“Deixa ir os meus Músicos!”

Retirado do blog do autor

Uma das maiores necessidades da igreja brasileira hoje é a de música cristã profana. Precisamos de música cristã que não fale de Deus. Não que falar de Deus não seja importante; mas às vezes tenho a impressão de que falamos demais de Deus, quase a ponto de tomar seu nome em vão. Falamos tanto porque estamos preocupados com a sua ausência; será que falamos para ocultar a sua ausência?

Falar de Deus é essencial: “como crerão, se não ouvirem?”. Tão importante quanto falar sobre Deus, no entanto, é falar a partir de Deus; e quando falamos a partir de Deus, não precisamos, necessariamente, usar o nome de Deus – o livro de Ester conta uma belíssima história sem usar o nome de Deus nem uma única vez, e essa história se tornou parte do cânon judaico-cristão, como narrativa divinamente inspirada.

A questão, pois, é se temos a graça de contar a história do modo correto, de narrar a vida sob a luz do evangelho. Precisamos de música que não fale de Deus, mas que fale a respeito da vida, das flores, do amor, da política, e das crianças, sob a luz do evangelho; precisamos de música que fale sobre o mundo, mas a partir de Deus.

Além disso, precisamos de música, simplesmente. Música que signifique Deus por sua beleza, e que mostre a sua glória sem palavras. A música pode ser narrativa, mas não precisa ser – a música não precisa de justificativas além da sua própria existência porque, afinal, Deus não precisa dar explicações sobre a razão de sua criação. Quem pode pôr em dúvida a beleza da música? Quem pode pôr em dúvida o amor do homem pela beleza da música? E quem pode pôr em dúvida a origem divina de toda boa dádiva, e de todo dom perfeito?

Quem és tu, ó pastor evangélico, para discutires com Deus? Pode a coisa feita desafiar seu Criador, perguntando-lhe: “Por que me fizeste assim?” Ou terás a ousadia de reprovar o inventor da beleza, por ter criado homens que amam a música pela música, mesmo quando não tem uma razão bíblica para desfrutá-la? Acusarás a Deus de ser o tentador do homem? Atribuirás a Satanás a arte de Mozart, de Wagner ou de Villa-Lobos? Consumados estes absurdos, que mais restará senão reprovar também a beleza das flores e o canto do sabiá? Por causa de Israel o nome de Deus foi blasfemado entre os gentios; mas por causa de ti a música cristã afunda nas trevas da feiúra estética.

Não me esqueço do dia em que um diácono da minha igreja – um homem grande, sério, que detestava livros mais do que qualquer coisa na vida – me chamou para uma conversa séria, “de homem pra homem”. Este diácono – não sei se no corpo ou fora do corpo, Deus o sabe – me aconselhou a desistir de ser músico profissional. “Porque” – dizia ele – “este meio artístico é muito sujo… Tem muita p., e um crente verdadeiro não se mete com p. Quando tem muita p. num lugar a gente tem que sair”. E, de fato, eu saí rapidamente de perto dele. Acho que em poucas ocasiões eu ouvi tantas vezes a palavra “p…”.

Os músicos cristãos precisam de libertação – não da música “do mundo”, mas da música “da igreja”. Precisam ser libertados do jugo dos pastores e dos crentes legalistas, que exigem qualidade nas noites de domingo, mas que proíbem estes músicos de se profissionalizarem, e fecham o mundo da música a uma ação cristã redentiva.

Guilherme de Carvalho

Editora Interferência

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2 lógicas: a de Francisco e a de Tomé

Francisco e o velho rádio cujas canções embalavam seus sonhos
Francisco e o velho rádio cujas canções embalavam seus sonhos

por Leandro Marques
Blog “Deus e o Mundo”

Assisti, finalmente, o filme 2 Filhos de Francisco, que conta a história da dupla sertaneja Zezé de Camargo e Luciano. Embora tivesse ouvido muitos comentários positivos a respeito do drama dirigido por Breno Silveira, confesso que não tinha a menor idéia do que me aguardava quando aluguei o DVD, dias atrás, e me sentei diante do velho aparelho de tv de 20 polegadas que eu e minha esposa mantemos em nosso quarto.

O que para mim era uma incógnita, veio a ser uma grata surpresa. Fui profundamente tocado pela poderosa história de Francisco – um lavrador incauto e visionário que apostou todas as suas fichas no sonho improvável de transformar dois de seus nove filhos em astros da música brasileira.

É desnecessário dizer que o sonho de Francisco tornou-se realidade. Mas eis a pergunta que o filme parece querer responder: como? Como é possível um caipira pobre, sem-instrução, e de poucos amigos realizar tal sonho aparentemente impossível? Como Francisco conseguiu aquilo que a maioria das pessoas não conseguiria? O que Francisco tem que falta na maioria de nós?

A meu ver, a resposta a esta pergunta cabe em uma única palavra: fé. Francisco era um homem de fé. Uma fé não-tematizada, certamente. Uma fé talvez não-religiosa (se é que existe fé que não seja religiosa em sua essência e natureza). Mas uma fé verdadeira e profunda. De algum modo que, nem o filme, nem nada é capaz de explicar, Francisco cria que seu sonho era realizável.

Segundo o escritor sagrado, a fé é “a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem” (Hebreus 11:1). Certamente era isto que o movia: a visão do invisível, a convicção de que o impossível podia acontecer. Diferente de São Tomé que precisou ver para crer, Francisco fez o caminho inverso: creu e, por isto, viu.

Não é novidade o fato de que a maioria de nós, indivíduos modernos maculados pelo vírus do racionalismo cientificista, abraçamos a lógica de Tomé como nossa atitude básica diante da vida. Duvidamos de tudo até que nos provem o contrário. Se não vemos, não cremos. Se não for razoável, taxamos de impossível. Assim, cremos apenas no que faz sentido, no que é provável, previsível, mensurável e conhecido. E desse modo descartamos sem mais uma gama enorme de possibilidades inusitadas e maravilhosas. Afinal, não é verdade que as coisas mais belas e importantes da vida escapam à razão analítica e não se prestam a muitas explicações?

Ora, quem se orienta pelo possível rouba da vida a dimensão do surpreendente, do transcendente, do misterioso. E assim limita demais as suas possibilidades. Em contrapartida, quem crê contra a própria probabilidade das coisas descortina diante de si um universo infindável de alternativas onde mesmo o impoderável é contado como opção.

Quem, à semelhança de São Tomé, espera ver para crer saí perdendo. De outra parte, quem abraça para si a lógica de Francisco, é mais bem-aventurado. Pois, pela fé, chama a existência o futuro ainda desconhecido. Com efeito, a fé de que o sonho impossível pode acontecer é o primeiro passo para sua concretização histórica. Esse foi, me parece o segredo de Francisco. Ao contrário da maioria de nós, o pai de Zezé de Camargo e Luciano viveu todo tempo nesta expectativa, carregando no ventre o futuro que aguardava ver nascer. E um dia, como fruto maduro que cai do pé, o sonho de Francisco nasceu.

Um evangelho pra chamar de meu!

ichristian

Esta semana cansei de ouvir de muitos cristãos as seguintes frases:

– Eu cuido da minha vida.
– Não quero ninguém se metendo na minha vida!
– Não tenho que dar satisfações sobre o que faço ou deixo de fazer!

Fiquei pensando que tipo estilo de vida andam pregando por ai. Além disto, que tipo de leitura o pessoal tem feito das Escrituras. Parece que o que vale é o que EU ACHO. Qualquer idéia de comunidade só vale a pena se esta convivência for dissociada de comunhão. Se tiver que ser discipulado, só farei se não tiver que me abrir.

Algumas das pessoas com que conversei passaram por experiências de abusos espirituais, sendo usadas e controladas por líderes loucos que pensam serem deuses. E estas experiencias ruins trazem enorme malefícios quando falamos de discipulado.  Até entenderem que discipulado é necessário, e isto não é lavagem cerebral, acaba demorando um tempo.  Este é o caminho mais saudável para que a igreja viva numa comunhão maior do que tem vivido hoje.

E não tive como não lembrar da febre dos iPods de hoje. Estes maravilhosos aparelhos que nos facilitam no momento de ouvir a música que quisermos, também nos fazem ter uma trilha sonora própria e somente minha. Monto a lista de músicas que gosto, coloco meus fones de ouvidos e saio caminhando sem que as pessoas que passam ao meu redor saibam o que ouço. Existem casas em que famílias ouvem músicas diferentes, isoladas pelos fones de ouvido e não sabem nem mesmo o que cada um escuta. Um isolamento em algo tão maravilhoso que é a música.

Quando era adolescente, uma das maiores expectativas que eu tinha era a de compartilhar músicas com meus amigos. Íamos para a casa um dos outros e ouvíamos os discos juntos. Aprendíamos uns com os outros. Colecionávamos discos juntos, dividíamos a música como quem divide a vida. Algo nos unia e isto era vida pra gente! Se víamos um amigo ouvindo uma música mais down, era um sinal que algo estava acontecendo. Se as paixões e crescimento estavam a mil ouvíamos músicas mais agitadas. Tudo isto em alto e bom som! Boa música não era para ser guardada, mas compartilhada!

Hoje o “alto e bom” som resume-se aos fones de ouvido e posteriormente a uma audiometria! rsss

Ficamos isolados, não querendo que ouçam as canções que parecem servir somente para mim mesmo! Não vou compartilhar. Isolamento mesmo conectado ao mundo pela internet.  Isto reflete nesta geração que quer o isolamento. Como se a canção que vem do céu possa ser isolada por fones de ouvidos…

Não foi este o chamado de Cristo! Ele chamou para sermos uma comunidade da fé. Gente que deveria ter companheiros de caminhada. Não temos que nos abrir a todos da comunidade da fé, mas escolhermos pessoas que sejam idôneas e AMIGAS. Até porque só ouvi verdades mesmo de amigos.

Olho para Cristo e vejo ele andando numa multidão. Apesar disto, ele escolheu doze para andar com ele de forma íntima. Dividindo dores, sonhos e angústias da alma. Não vejo ele se isolando dos amigos de caminhada, que ele escolheu como discipulos. Ele só se isolava para falar com o próprio Pai. Vivia na comunidade dos doze e entre a multidão. Não há exemplo maior do que o próprio Mestre.

Este “isolacionismo” que parece querer reinar no meio da igreja de nossos dias é danoso. Afinal, se me isolar como poderei falar aos meus amigos que a canção que está em minha alma anda muito triste? E se a canção for linda, porque vou deixar de compartilhá-la com meus amigos? O caminho saudável é compartilharmos uns com os outros nossas dores e alegrias.

Se um conselho pode ser bom, me atrevo a dar o seguinte:  Não ande sozinho!

Música “do mundo”…

Ainda me assusto com a total demonização da música dita secular por parte dos evangélicos. E é tanta demonização que ao se falar que se é ouvinte, logo pensam que o ouvinte de música secular ouve SEMPRE o que de pior existe. Os que não aceitam a música “secular”, já falam em funk, letras de outras religiões, imorais e coisas do gênero.

Isso já mostra o que pensam sobre o que não é advindo do gueto evangélico: tudo é ruim!

RUIM é Cassiane, Marco Feliciano e todo o TOP 10 das rádios ditas “evangélicas”…

Esta incapacidade de ver o belo na Criação de Deus é indesculpável! Achar que a beleza só vem de rios eclesiasticos é diminuir EM MUITO a redenção que o Senhor fez em minha vida.

Não perceber Deus tocando em vidas como as de Chico Buarque, Gil, Ivan Lins e tantas outras figuras é dizer que Deus não é enxergado pelas lentes dos não-regenerados!

Eles não tem a Revelação Especial de Deus, não são convertidos. Só que eles enxergam Deus pela Revelação Geral.

Se não fosse assim todo os 3 primeiros capítulos do livro de Romanos seriam mentirosos. Nele o Apóstolo fala que os homens se tornaram indesculpáveis POR NÃO RECONHECEREM DEUS APESAR DE TODAS AS DEMONSTRAÇÕES VISÍVEIS DE SUA EXISTÊNCIA!

Ou alguém acha que o fruto da composição de várias canções angustiadas não seja a fome de Deus? Ou alguém acredita que as mais belas canções não foram feitas por quererem alcançar o que há de mais belo? Não me venham falar que é satanás!

Antes que alguém o faça, eu o faço: Eles NÃO SÃO convertidos, mas a beleza que frui deles só pode ser do Pai das Luzes!

Quem quiser discordar, discorde.

Depois não reclamem de ter uma vida menos bela por isso!

Em homenagem ao grande MokoShock