Enquanto caminho…

Tenho pensado muito sobre a maturidade. Acho que aos 34 anos comecei a ver a vida de outra forma. Não que tenha me tornado um expert em maturidade, muito pelo contrário. Só que algumas coisas tem que inquietado.

Sei que para muitos este estágio chega antes. Para outros a vida tem sempre ar de brincadeira, com as infantilidades que não são mais cabíveis em virtude da avançada idade.

Maturidade não é algo fácil ou mesmo instantâneo. Vai se chegando como num vinho que com o tempo torna-se encorpado. Os sabores vão se tornando mais nobres e o frescor se mantém. Isso só com o tempo, muito tempo.

Não sei porque brigamos muito com a maturidade. Provavelmente é porque muitos a tem como sinônimo de velhice, cabelos brancos ou coisas que se pareçam com a imagem já a tanto desenhada do que seria um homem ou mulher madura.

Só que muitos lutam com garras afiadas contra esta fase da vida. Acham-se imortais, mitos ou acima de qualquer forma de sabedoria que só o tempo pode dar. Acreditam estar no patamar de seres sagrados, que tem a vida como sua criação e moldura. Esquecem que qualquer queda tudo vai à ruína.

Pego-me sentado na cama vendo no espelho meus ainda ralos cabelos brancos e chego a conclusão que a vida passa e o que passou passou. Não adianta querer viver o que já passou. Ai tenho que concordar com o filósofo: não há como passar pelo mesmo rio duas vezes. As águas são outras. A vida é outra!

Seria até mesmo absurdo eu querer voltar a vestir-me como punk que era em minha adolescência. Ou mesmo acreditar nas doutrinas socialistas em pleno século XXI. Ou mesmo acreditar que as pessoas de minha juventude fossem melhores do que as de hoje.

A vida segue. Cristo me converteu há exatos 13 anos… Muita coisa já rolou. Ele resgatou este cara com barba grisalha de apenas 34 anos. Não tenho porque olhar pra trás mas seguir em frente, sabendo que o melhor ainda esta por vir. Que Ele comanda minha vida e tem todos os meus dias contados.

Olho para o meu lado e vejo como sou feliz. Minha esposa me completa. Não sou rico e nem tento sê-lo. Não tenho porque viver a vida querendo ser um Peter Pan como tenho visto em muitos cantos.

Acredito que cada fio branco não é pigmento de meu cabelo que se vai, mas a certeza que os anos passam e que não posso viver como se estivesse com 18 anos. Maturidade é algo que ultrapassa o símbolo de velhice anunciada, mas a certeza que a vida deve ser pensada e vivida ainda mais. Cristo nos deu vida em abundância!

Por isso tenho tentado viver apartir desta parte das Escrituras e não abro mão disto:

“Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe gostosamente o teu vinho, pois Deus já de antemão se agrada das tuas obras. Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes, e jamais falte o óleo sobre a tua cabeça. Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol; porque esta é a tua porção nesta vida pelo trabalho com que te afadigaste debaixo do sol.”

Eclesiastes 9.7-9

Maturidade é ser sábio, prudente e cheio de temor e amor de Deus enquanto se caminha nesta terra que cheira maldade.

Nisto eu dou minha vida!

Conversão…

Raridade hoje?
Raridade hoje?

Conversando com amigos de ministério no último sábado, um assunto veio a mesa e até agora não me sai da cabeça. Na verdade não tem me saído da cabeça já há alguns meses. Infelizmente a igreja protestante tem deixado de ter em suas fileiras homens e mulheres convertidos. Se assustou? Eu também…

O Senhor Jesus me converteu em outubro de 1996. Lembro que foram alguns meses de luta interna, pois não me parecia o melhor caminho a seguir, mas a sua irresistivel Graça alcançou-me naquele começo de outubro. Lembro que naquela madrugada de sábado para domingo, eu cai em tremendo choro em meu quarto diante de algo belo e vivo. Não tinha como voltar atrás, fui alcançado com um amor e certeza de não poder andar pelos caminhos que andava antes. No domingo eu queria ir até a igreja, reunir-me com meus irmãos, cantar aqueles cânticos que naquele instante passaram a ter real sentido e ao mesmo tempo declarar ao mundo que eu pertencia ao Senhor Jesus.

A metanóia estava instaurada: não podia viver do mesmo jeito que vivia. Isto já começou no primeiro dia da conversão. Sem saber nada de Bíblia, uma coisa eu tinha certeza: a vida com Cristo deveria ser uma nova vida!

No processo soberano da conversão, o Senhor usa a pregação da Palavra. A forma inteligível de entendimento do texto bíblico. Dizer o que o texto diz é uma forte arma argumentativa, mesmo sabedores que Deus usa a revelação apartir dEle mesmo para que o homem natural possa ter a neblina que o cega retirada.

E muita coisa tenho visto na igreja. Não só eu tenho visto, mas o mundo tem visto. E até o momento não vi a igreja ser foco das atenções por estar pregando a Palavra centrada nas Escrituras, com boa doutrina e vida ética. As manchetes chamam mais atenção pelo lado obscuro e vida destituída da ética/moral cristã.

E neste bonde as igrejas estão abarrotadas de pessoas que não tem tido muito tempo para mudar suas vidas pela transformação do Evangelho genuíno.

Nunca pensei que diria isto: tenho saudades do tempo em que uma pessoa entrava na igreja e algum tempo depois você quase não a reconhecia pois ela havia se transformado numa nova criatura…

Esta afirmação não passava em minha cabeça, pois simplesmente esta deveria ser o normal na comunidade da fé. Mesmo que em nosso meio sempre existiu – e existirá- pessoas simpatizantes ou que precisam de uma ajuda religiosa, o número de convertidos hoje é menor do que muitos pensam.

Ai fica o desafio para os que não desistiram da igreja:
– Buscar a genuína pregação da Palavra;
– não se envergonhar de usar a mente que o Senhor nos deu e PENSAR a fé;
– Entender que estudar doutrina é algo necessário e deve fazer sentido na nossa prática diária;
– Não dividir a vida em departamentos, mas viver a fé no dia a dia;

Fica ai uma das músicas mais lindas sobre conversão que já ouvi:

Já perceberam que nem sobre a conversão cantamos mais?
Qual foi a última vez que você cantou junto com os irmãos um cantico que fala sobre conversão?

Agora é com vocês!

Comentem!

Uma simples faixa de pedestres…

Hoje completam 40 anos do lançamento de “Abbey Road” dos Beatles. E em comemoração a tal fato histórico, milhares de pessoas foram até a frente do mítico estúdio para terem a oportunidade de tirar uma foto igualzinha a capa do penúltimo disco oficial do Fabfour.  Fiquei sentado olhando aquela cena com uma vontade enorme de tirar uma foto ali. Na verdade este foi um sonho que sempre nutri.

Quem me conhece sabe que minha banda predileta é o The Who. Nunca escondi isto de ninguém, mas os Beatles estão entre as 5 que mais me emocionaram e fizeram deste humilde ouvinte um grande apreciador do rock. Gosto muito dos Beatles. Os quatro garotos de Liverpool acompanham minha vida desde meus 12 anos quando ouvi o disco “A hard day’s night”. Disco simples, infantil e ousado! Todo mundo canta junto.

Ai os caras foram amadurecendo, foram se entregando ao mundo próprio das composições e lançaram verdadeiros marcos históricos em forma de discos. A trinca imperdível Rubber Soul(1965), Revolver(1966) e Sargeant Pepper(1967); definem o som dos Beatles: criatividade em arranjos e letras, tudo harmonizado pelo mestre/maestro George Martin.

Este disco que agora completa 40 anos mostra o amadurecimento de McCartney como letrista e arranjador que seguiu em sua carreira solo. Lennon também já dá demonstrações de que tudo caminha para uma ruptura com os companheiros.

Sei que se passaram 40 anos e muitos querem fazer o caminho dos Beatles: atravessar a rua e ter esta imagem imortalizada em uma foto. Tudo igual a capa do magistral álbum. Sei que eu fiquei, como já disse anteriormente, com a vontade de ter esta oportunidade um dia. De esperar o sinal fechar e pedir para alguém registrar o momento: eu, minha esposa e filhos atravessando aquela já desgastada faixa de pedestres. Colocar o quadro com a foto do tamanho de um vinil na sala e ficar olhando para ele de vez em quando. Isso seria legal, sabiam?

Ao mesmo tempo me peguei pensando sobre um outro caminho e fiquei intrigado. Jesus andou por este mundo e fez tantas coisas que neste terra não caberiam a quantidade suficiente de livros contando todos os fatos (Jo 21.25). Naquele momento fiquei olhando minha velha Bíblia, já surrada, e fiquei imaginando algo como a capa de “Abbey Road”.

Será que tenho olhado para ela com vontade de (re)viver tudo que ela diz? Não falo de forma legalista/moralista, mas de ter o prazer de refazer os caminhos do Mestre. De olhar para a mensagem de Cristo e ter nela a inspiração para a vida. Tudo isto da forma devida, sem ranços religiosos ou libertinagem. Tendo o foco nos pés do Mestre, em suas pegadas e palavras. Tudo isto moldando minha vida e de minha família.

Fiquei pensando novamente… Pensamentos que vão e vem a mente…

Como seria legal ter um quadro de minha família, incluindo os filhos que ainda não tenho, numa imitação da capa do clássico disco dos Beatles. Como seria bacana! Contudo, como quero que minha família tenha nos passos de Cristo sua inspiração. Uma família de imitadores do Cristo! Que ama a vida, tanto ama que a dá a própria vida por amor dos seus! Que olha o outro com amor e compaixão! Caminhando na vida, sentindo o mesmo calor e tendo convicção que há mudança espiritual e social por onde quer que passemos. Caminhar como Ele faz todo o sentido!

Tudo isto eu vi através de uma pequena faixa de pedestres. Tudo isto fez real sentido nas palavras daquele que atreveu-se a dizer que Ele era o único Caminho, Verdade e Vida. Nisto ele foi mais radical do que os Beatles. Nisto ele foi mais inspirador que toda a música. E nisto ele foi mais que poeta! Foi e é o único sentido de se atravessar esta vida para a vida eterna!

Á Ele toda Honra e Louvor!

2 lógicas: a de Francisco e a de Tomé

Francisco e o velho rádio cujas canções embalavam seus sonhos
Francisco e o velho rádio cujas canções embalavam seus sonhos

por Leandro Marques
Blog “Deus e o Mundo”

Assisti, finalmente, o filme 2 Filhos de Francisco, que conta a história da dupla sertaneja Zezé de Camargo e Luciano. Embora tivesse ouvido muitos comentários positivos a respeito do drama dirigido por Breno Silveira, confesso que não tinha a menor idéia do que me aguardava quando aluguei o DVD, dias atrás, e me sentei diante do velho aparelho de tv de 20 polegadas que eu e minha esposa mantemos em nosso quarto.

O que para mim era uma incógnita, veio a ser uma grata surpresa. Fui profundamente tocado pela poderosa história de Francisco – um lavrador incauto e visionário que apostou todas as suas fichas no sonho improvável de transformar dois de seus nove filhos em astros da música brasileira.

É desnecessário dizer que o sonho de Francisco tornou-se realidade. Mas eis a pergunta que o filme parece querer responder: como? Como é possível um caipira pobre, sem-instrução, e de poucos amigos realizar tal sonho aparentemente impossível? Como Francisco conseguiu aquilo que a maioria das pessoas não conseguiria? O que Francisco tem que falta na maioria de nós?

A meu ver, a resposta a esta pergunta cabe em uma única palavra: fé. Francisco era um homem de fé. Uma fé não-tematizada, certamente. Uma fé talvez não-religiosa (se é que existe fé que não seja religiosa em sua essência e natureza). Mas uma fé verdadeira e profunda. De algum modo que, nem o filme, nem nada é capaz de explicar, Francisco cria que seu sonho era realizável.

Segundo o escritor sagrado, a fé é “a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem” (Hebreus 11:1). Certamente era isto que o movia: a visão do invisível, a convicção de que o impossível podia acontecer. Diferente de São Tomé que precisou ver para crer, Francisco fez o caminho inverso: creu e, por isto, viu.

Não é novidade o fato de que a maioria de nós, indivíduos modernos maculados pelo vírus do racionalismo cientificista, abraçamos a lógica de Tomé como nossa atitude básica diante da vida. Duvidamos de tudo até que nos provem o contrário. Se não vemos, não cremos. Se não for razoável, taxamos de impossível. Assim, cremos apenas no que faz sentido, no que é provável, previsível, mensurável e conhecido. E desse modo descartamos sem mais uma gama enorme de possibilidades inusitadas e maravilhosas. Afinal, não é verdade que as coisas mais belas e importantes da vida escapam à razão analítica e não se prestam a muitas explicações?

Ora, quem se orienta pelo possível rouba da vida a dimensão do surpreendente, do transcendente, do misterioso. E assim limita demais as suas possibilidades. Em contrapartida, quem crê contra a própria probabilidade das coisas descortina diante de si um universo infindável de alternativas onde mesmo o impoderável é contado como opção.

Quem, à semelhança de São Tomé, espera ver para crer saí perdendo. De outra parte, quem abraça para si a lógica de Francisco, é mais bem-aventurado. Pois, pela fé, chama a existência o futuro ainda desconhecido. Com efeito, a fé de que o sonho impossível pode acontecer é o primeiro passo para sua concretização histórica. Esse foi, me parece o segredo de Francisco. Ao contrário da maioria de nós, o pai de Zezé de Camargo e Luciano viveu todo tempo nesta expectativa, carregando no ventre o futuro que aguardava ver nascer. E um dia, como fruto maduro que cai do pé, o sonho de Francisco nasceu.

Reforma, Sociedade e Educação

por Ana Paula Gurgel – Leia seu Blog!

A história da Reforma Protestante revela sua preocupação com o ensino, não apenas religioso mas focando a formação integral do cidadão tendo sua base nos princípios éticos cristãos.

Um povo esclarecido melhora suas relações pessoais e de trabalho. Um povo convertido traz em sua formação a ética (ou deveria trazer) a fim de tornar as relações mais sadias e melhores.

Ouvi de uma amiga que o encanto da religião muçulmana sobre as sociedade tem se dado devido a forma relacional de valor uns dos outros a mesa, ao contar histórias, compartilhar e acolher… Engraçado, outrora ouvi que isto marcava o Cristianismo, mas parece que hoje não mais! Por quê?

Quando deixamos de lado o real valor do Cristianismo que é nosso encontro com Cristo que nos leva a uma nova relação de vida integralmente passamos a vivenciar o interesse econômico ou de barganha que a “fé” vem espalhando.

O que há com a reconstrução de vidas, começando pela minha que encontrei Cristo? Este encontro deve levar-me ao encontro de outros a fim de seu benefício, a fim de um maior desenvolvimento, não apenas relacional mas social, familiar, profissional, espiritual. Ou seja, todo o ser.

Nos escondemos em redomas de tijolos, ditas igrejas e nos pomos a orar de joelhos por bençãos individuais e egoístas e não mais relacionais!! (orem pelos reis! – hoje nossos governantes)

Pergunto novamente, o que retemos de nosso encontro pessoal com Cristo que nos leve ao próximo, ao outro, a nós mesmos de forma a traçarmos uma reconstrução de nossa sociedade?

Se é bom pintor, pinte com graça e cada vez melhor! Se é bom escritor, escreva com graça cada vez melhor! Se é bom professor, ensine com graça, cada vez melhor … e se já faz o seu melhor, mantenha!  Sem utopismo mas com eucaristia, com graça!

Ainda estou construindo o pensamento e escrevo esta linhas para mim também, pois sei que preciso lembrar disso a cada instante do meu dia quando sou tentada a esquecer de todo o resto e focar apenas em mim.

I João 1 diz “… sim, o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que vós também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo. … Se dissermos que temos comunhão com ele, e andarmos nas trevas, mentimos, e não praticamos a verdade; mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado.”

Fomos comprados! Eles precisam ser comprados!

O Marcio de Souza, um amigo do peito e de vocação, pediu que eu escrevesse um texto para o site “Um Clamor por Niterói”. Diante de tanta prostituição em nossa cidade, precisamos fazer alguma coisa como igreja que somos!

Segue o texto na integra que vc também pode acessar no belo blog:

Fomos comprados! Eles precisam ser comprados!

Certo dia sai com alguns amigos. Chegando lá, revi um grande amigo que não via há alguns anos. Ele me contou a novidade de que agora era cristão e estava com irmãos de sua igreja. Acabei ficando ao lado deste amigo, que se dizia meu irmão na fé, que não via fazia tanto tempo e falei com o pessoal com que sai que daria atenção a este rapaz.

Ao finalizarmos o papo, voltei de carona com alguns irmãos, pois já era tarde e diante da violência preferi aceitá-la. Qual não foi minha total surpresa: o caminho escolhido seria o Centro da cidade. O objetivo da caravana de gente que se dizia regenerada por Cristo era “curtir com a cara das prostitutas e travestis do Centro.”

Pedi que parassem o carro, pois Cristo não havia me salvado para me tornar-me pior do que era quando andava separado dele. E para minha total surpresa, eles deram de lado e foram “curtir” com a cara de gente sofrida que vende o próprio corpo.

Quero crer que este não seja a cara da juventude que diz ter sido convertida pelo Senhor. Acredito plenamente na conversão de pecadores. Pecadores como eu, que sabem de suas limitações, mas não querem ser vencidas por elas. Pecadores que acreditam que pessoas podem ter um Encontro com o Salvador e terem suas realidades transformadas.

Mais do que qualquer estatística alarmante, precisamos nos conscientizar que o papel da igreja é ser relevante. Não podemos aceitar que pessoas vendam seus próprios corpos e fiquemos domingo após domingo, cegos a esta realidade que enche Niterói!

E querem saber? Eu sonho com uma caravana bem diferente do relato que comecei este texto. De jovens que dão suas vidas para evangelizar os excluídos de nossa cidade! Uma caravana daqueles que foram COMPRADOS por um amor tão grande que levou um Deus a dar sua própria vida por eles. Pecadores que foram comprados por Cristo para glorificar o Deus que os comprou. E eu não acredito que fomos salvos para sermos piores do que homens e mulheres que não tem Cristo como seu Senhor e Salvador. Que saem para “curtir” com a cara de quem precisa de Salvação!

E se fomos comprados por preço de sangue puro e sem pecado, temos que comunicar aos que se vendem na rua que Ele tem um caminho diferente para eles. O caminho da Salvação em Cristo! E nós, como igreja temos que entender que o nosso chamado é de comunicar esta Verdade Eterna: Deus Salva pecadores iguais a mim mesmo! Sem invencionices ou triunfalismos que infelizmente invadem nossas igrejas.

A prostituição é um dos grandes males que atingem Niterói e nós como igreja precisamos ser relevantes e proclamadores de Cristo. E não sermos luzes que se encontram escondidas em templos, mas luzeiros que transformam vidas que a própria sociedade finge que não existem! Deus é conosco, então vamos!

Conheça mais sobre o “um Clamor por Niterói” visitando o blog:  http://umclamorporniteroi.wordpress.com

Zaqueu, Funk e Relevância

Dia destes um amigo descreve a seguinte cena: estava almoçando no Centro do Rio e na TV passava o programa da Furacão 2000. Nada digestivo, por sinal. No momento em que a apresentadora passou para as filmagens do baile toca um pancadão e dá-lhe as mulheres rebolando enquanto o cinegrafista busca ângulos ginecológicos. Este amigo, que já ia se levantar para respirar ares menos poluídos ficou paralizado quando o cantor de tal funk começa a cantar a seguinte letra: “Como Zaqueu, quero subir o mais alto que eu puder…” Apartir dai a cena já esquisita se tornou surreal: a letra que fala de um homem que foi ao encontro de Jesus foi colocado como um colaborador do rebolado até o chão!

Este sucesso de Regis Danese já virou pagode também nas mãos do Pique Novo. E ao caminhar em qualquer lugar ouço esta música, seja no Shopping ou nos lugares de comércio popular. Ela chegou ao primeiro lugar numa famosa rádio popular carioca e fiquei sabendo disso quando estava num ônibus. Ou seja: Sucesso Total!

Ao prestar atenção a esta música fiquei encucado com a afirmação feita na letra. Nela Zaqueu é descrito como alguém que queria ver Jesus e queria ser visto por ele. Por isso, ele arquiteta um plano de subir o mais alto que pudesse para que Jesus, obrigatoriamente, percebesse sua presença. Afinal ver um baixinho em cima de uma árvore seria uma irresistível “tentação” para Cristo. Ele TERIA que perceber a presença de Zaqueu no alto daquela árvore. Com isto Zaqueu estaria CHAMANDO A ATENÇÃO de Cristo, como se o homem de baixa estaruta fosse um grande estrategista.

E na canção, há a ratificação desta possível estratégia, quando afirma que ele teria feito isto “para chamar sua atenção PARA MIM…”

Só que não foi isto que aconteceu… No texto bíblico de Lucas 19.1-5, quem chamava a atenção por onde quer que passasse era o Senhor. Zaqueu era apenas mais um em meio a multidão que correu para ver o Senhor. Tanto é que por ser de baixa estatura, ele se esforçou para subir em uma árvore PARA VER O SENHOR. A letra da música fala exatamente o contrário do texto das Sagradas Escrituras.

O Senhor é quem nos atrai a ele, não somos nós que chamamos a atenção dEle com nossas estratégias.
Infelizmente, sempre tentamos inverter as coisas.

Quando lembro da história que meu amigo contou sobre Zaqueu e o baile funk, fico pensando em como temos atingido em relevância a sociedade. A tal “relevância” é encharcá-la com música “gospel” e ainda assim não ver mudança de vida nestas pessoas. Tanto que rebolam até o chão “clamando” que Cristo entre em suas vidas e mexam em suas estruturas.

O Senhor pode converter estas pessoas, pode! Só que porque uma letra com conteúdo cristão é tocada num baile funk e as pessoas continuam fazendo exatamente o que fariam se a letra tivesse conteúdo imoral? A falta de reverência chegou a niveis baixos nos dias de hoje.

Quem, como Zaqueu, foi ao encontro de Cristo acabou encontrando um novo Caminho. Jesus foi com ele até sua casa e após a conversa Zaqueu foi transformado. O fato de subir até a árvore para ver Jesus não é o principal fato da história de Zaqueu. O marco da vida daquele homem foi a mudança interna dele que se deu quando o Senhor entrou em sua casa e ele, que era publicano, resolveu restituir a todos quanto havia roubado. Não só devolver, mas devolver 4 vezes o valor roubado. Além disso ele percebeu que a riqueza não era o fim em si mesma, tanto que após o encontro ele resolve abrir mão de metade de seus bens: Deu esta metade aos necessitados!

O encontro dele não foi um encontro religioso, mas um encontro de Salvação. Tanto que no versículos 9 e 10, Jesus fala: “E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.”

E isto não se monta com estratégias para chamar a atenção. Somente o Deus das Escrituras trata de Salvação apartir de REVELAÇÃO de quem Ele é. Isto o próprio homem não tem a capacidade de conseguir. Zaqueu procurou ver quem era aquele homem, mas encontrou-se com Deus.

E como podemos perceber, isto é um convite para uma mudança de vida. E não para continuar da mesma forma enquanto toca o pancadão.

Oh, mercy, mercy me…

Falou-se tanto sobre Jacko que tenho ouvido muito durante estes dias os cantores da Motown.  E de todos os cantores do cast desta gravadora o que melhor simboliza o que era a Motown, em minha modesta opinião,  é um cabra chamado Marvin Gaye.  E nesta madrugada de trabalho fiquei ouvindo sem parar a obra prima “What´s Going On” de 1971.

Este disco nasceu da depressão do artista diante de um mundo tão estranho, onde a perda de referencial era como um soco no estômago.  Ele havia perdido no ano anterior sua parceira de dueto Tammi Terrell,  que havia morrido em razão de um tumor cerebral.  Da escuridão em que vivia, Marvin transformou em um album que mostra-se perfeito em tudo: voz cristalina, letras extremamente bem construídas e instrumental primoroso.

A voz de Marvin, de uma urgência impar, mostrava-se como um grito de alerta ao que o mundo estava se transformando em 1970/71:  a loucura da guerra do Vietnan, o caos urbano, violência crescente, danos ecológicos e os descaminhos que as famílias estavam tornando-se.

Uma música em especial tem um significado importante quando se sabe como foi a morte de Marvin Gaye: “God is Love”.

A canção começa com os seguintes versos:

“Oh don’t go and talk about my father
God is my friend
Jesus is my friend
He made this world for us to live in, and gave us everything
And all he asks of us is we give each other love.”


Gaye começa a letra que fala de forma apaixonada de um Deus que é Amor, falando em alto e bom som:  “Não me venha falar de meu pai…”

O pai de Marvin era um pastor extremamente fundamentalista que reprimia tudo em seu filho, de tal forma que o filho foi se alistar no exercíto só para fugir das garras de um pai louco em seu fundamentalismo e forma de ler as Escrituras Sagradas.  O pai amaldiçoava o filho por estar cantando fora da igreja e ser instrumento do diabo para os incrédulos.  Gaye viveu com a sombra amaldiçoadora de um pai durante toda a sua vida.  Tendo todas as questões que advém de uma formação religiosa/familiar completamente castradora. A culpa vivia cercando o canto do gênio.  Tornou-se viciado e alcóolatra.

Em 1983 Gaye foi assassinado pelo próprio pai.  Num episódio tão comentado que até hoje traz arrepios pela forma tola do assssinato.

Sei das escolhas que temos em nossas vidas. Sei também que a formação familiar pode trazer enormes malefícios a um indivíduo. Não posso negar que a criação religiosa extremamente repressora pode formar verdadeiras aberrações.

Sei de tudo isto…

Só que a letra de “God is love” fala algo que mexe muito comigo:  ela fala da Graça de Deus de forma impactante. Muitos não estão nem ai para isso ou não professam a fé em Cristo. Só que eu acredito que pela Graça e Sacrifício de Cristo posso dizer que “Deus é meu amigo / Jesus é meu amigo”. Posso cantar que para estes, e mesmo para os que não abraçam esta realidade, que “ele fez este mundo para vivermos e nos deu tudo! E tudo que ele pede à nós é que nos amemos” Esta verdade ultrapassa até mesmo a criação bastarda de um pai louco. Esta afirmação ultrapassa qualquer barreira emocional que me foi dada nesta caminhada.

Gaye canta num refrão o desafio da Graça e Perdão bem próximo da proposta de Cristo no Sermão do Monte:

“Ame sua mãe, ela vela por você
Ame seu pai, ele trabalha por você
Ame sua irmã, ela é boa para você
Ame seu irmão, ame seu irmão”


Não posso dizer onde Gaye está, mas sei o que ele propôs em sua canção e isto é de inegável valor… A Graça Comum é algo que infelizmente a igreja tem esquecido e até mesmo amaldiçoado. Deus usa para falar quem Ele quer e com certeza absoluta usou Marvin Gaye!

Os 5 garotos de Indiana

Depois de meu post sobre o que seria o funeral de Jacko, alguns amigos perguntaram como eu não gostava do rei do pop. Alguns descobriram tardiamente que tenho um enorme respeito pela obra de Jacko. Só que sou completamente fã da fase dos Jackson Five. Isso é sério! não é mais um dos saudosismos que batem quando um ícone morre. Tenho a discografia deles inteira e sonho conseguir os bonecos deles! Infelizmente estes bonecos custam os olhos da cara nos eBays da vida, pois são rarissimos!

A primeira vez que ouvi falar em Michael Jackson foi num clipe de “ABC” em alguma rede de TV entre 1979-80. Ou seja bem atrasado, pois vi o Jacko criança, sendo que ele naquele momento já estava com seus 20 anos pelo menos! E música mesmo, lembro de minha mãe ouvir um dos tantos programas da famosa Radio Mundial AM e tocar “Standing In The Shadows Of Love”, um cover do Four Tops se não me engano, diretamente do primeiro album deles. Inclusive estou ouvindo esta canção no exato momento em que escrevo este post. Não resisto! rssssssss

Achava impossível alguém cantar daquele jeito com 10 anos de idade. Sendo que em 1979 ou 80 ele já tinha lançado alguns discos solo e estava prestes a ser lançado ao panteão de ícones da música. Eu em Niterói, não tinha idade nem de ir comprar balas na padaria e me impressionava com aquelas canções. Logicamente tudo muito mais pelo feeling do que por conhecimento da obra dos 5 garotos de Indiana.

Com o estouro de “Thriller”, a rede Manchete voltou a passar os desenhos dos Jacksons e pude ver de forma MUITO atrasada o que foi a banda: nada poderia virar desenho se não fosse quase sobrenatural de tão famoso! rsssssss Meu encantamento infantil me fazia gostar mais dos J5 do que o estouro de Jacko na fase Thriller.

Com isto não estou dizendo que não curti aquela fase, pois seria tentar fazer o tipo blasé. Ouvi aqueles discos, brinquei com o pessoal e tive em meus ouvidos toda aquela enxurrada de sucessos de Jacko. Inclusive com todas as apresentações de imitadores de MJ… Seja no Chacrinha, Viva Noite, Programa do Bolinha e até no famigerado Programa Barro de Alencar… Alguém em sã consciencia lembra do Barros de Alencar? Quem me faz lembrar desta figura impar foi Jacko!

Fui crescendo e aquela fase explosiva de Jacko ficou no passado. Só que os J5 não! Engraçado isso, né? Acho que uma criança cantando de forma completamente inexplicável de tão afinado que era, fixou-se em minha memória infantil mais do que o MJ que dançava como se tivese molas no corpo!

Não sei explicar mesmo, mas o que me faz olhar para o tal rei do pop como algo extraordinário não foi sua fase “adulta”, mas a formação com seus irmãos. Junto com seus irmãos, parecia formar um equilíbrio. Mesmo quando já não eram mais um grupelho adolescente: a fase soul-funk de um Jacko cheio de espinhas também é sensacional! Só que com aquela surreal criação familiar não poderia suportar a união de algo que tinha na figura do pai uma ruptura relacional.

No funeral de Jacko, não conseguia tirar os olhos de seu pai. Separado, jogado para escanteio. uma figura que estava ali porque “era o jeito”… Conseguiu de forma mundial ser considerado com um estorvo em pleno funeral do filho. Funeral que começou já antes do nascimento do J5. Triste isso…

De qualquer forma quero esclarecer que os Jacksons são importantes na minha formação musical, pois acredito ter uma e não renego isto. Eles deram a mim a oportunidade de ter uma enorme dívida com a musica negra americana em suas raízes soul-funk, fizeram com que eu ainda menino nunca tivesse esquecido um nome: Motown! E isso me fez ser mais feliz, sabem? Ou alguém acha que ouvir James Brown, Sly and The Family Stone, Ray Charles, Curtis Mayfield, Stevie Wonder, Smokey Robinson e tantos outros que colocaram os “embalos dos bailes da pesada” pode ter uma vida infeliz?!?

A alegria está no coração…

Dia destes falei com uma senhora. Ela tem um trabalho interessante com pessoas envolvidas com Missões. Também tem um trabalho de intercessão e oração. Além disto tudo, tem por hábito ser grande pesquisadora de assuntos apologéticos. Percebi nela uma grande preocupação em assuntos que podem trazer uma visão deturpada da fé cristã. Não sou seu grande amigo. E diria até que nem mesmo amigo dela eu sou. Conheço-a muito mais por ter pessoas próximas que a tem como amiga.

Diante de um curriculo como o que passei, imagino que muitos ficariam interessados em conhecer a pessoa e seus projetos legítimos. Só que uma coisa chamou minha atenção durante todas as conversas que tive com ela: ela não sorriu em quase todas as vezes que conversamos. Não vi um rasgo que fosse em seus lábios. Tentei me concentrar nas conversas, mas a voz pesada e sem alegria não me descia bem. O ar sisudo e triste era uma marca estranha na forma de encaminhar toda a conversa.

Não tenho como aceitar um cristão regenerado que seja triste, sem sorrisos ou traços de uma alegria do novo Caminho.  Não estou com isto afirmando que cristão não possa ficar triste. Não tenho em mim estas raízes diabólicas de triunfalismo evangélico. O que me trouxe espanto é conversar com um cristão que não sorri.

Sei que minhas palavras podem estar cercadas de julgamentos, mas não posso entender que TODAS as vezes que tenha conversado com esta irmã ela estivesse passando por maus momentos. Até porque, as afirmações eram sempre pesadas, carregadas de uma forma de legalismo estranhas ao texto sagrado. Apesar de todo o esforço e afirmações da fé, sentia mais um gosto de fel do que o doce sabor do Evangelho.

Comecei a pensar no que me assustava nos crentes que conheci quando criança e lembrei que as caras fechadas eram as marcas do Evangelho que me eram apresentado. Sisudos, silenciosos e cabisbaixos eram a resposta de uma fé que parecia sem vida. Provavelmente a alegria era acessório usado somente nos cultos. No momento que saiam do templo, esta alegria parecia ficar lá como se estivesse guardando o assento para a próxima reunião dominical.

Quando o Senhor converteu-me não pude deixar de perceber que a Paz que Ele me deu, trouxe-me uma alegria imensa de saber que agora tenho um Pai que me ama totalmente. O imenso amor que meu pai tem por mim, tornou-se pequeno demais quando entendi que Ele me amou primeiro! A vida pareceu-me com mais cor. A certeza da Salvação fez com que meu sorriso brotasse mesmo em dias de dor. E não foram poucos!

Quando procuro por biografias de homens e mulheres que tiveram suas vidas mudadas por Cristo, uma marca que sempre os acompanhou era a alegria de ser do Senhor. Lembro de ter lido um relato de um dos filhos de Moody. Ele lembrava do pai pela fé em Cristo e na alegria com que ele brincava com eles!  O pregador grandalhão tornava-se como criança quando estava com os filhos, tendo ali laços afetivos enormes! E os filhos nunca esqueceram a pregação/brincadeira da própria vida do pai.

Como conseguimos transformar o evangelho em algo tão sisudo e cabisbaixo? A vida com Cristo seria uma imensidão de sofrimentos e nos é negado até mesmo um sorriso? Não posso acreditar nisto! De forma alguma! Acredito que a alegria faz parte da prática cristã!

E isto me faz lembrar do texto bíblico:

“A esperança dos justos é alegria;
mas a expectação dos ímpios perecerá.”
Provérbios 10.28

Eu fico com as palavras de provérbios! E vocês?