A fé dos robôs e a fé ‘das gentes’

Igreja é lugar de GENTE que traz consigo sua óbvia imperfeição. Afinal é GENTE!

Até porque, convenhamos, arrependimento nasce de GENTE que percebe sua pequenez e dá um ‘mata leão’ em si mesmo.

Todos os dias!

Agora, tenho muito medo dos ROBÔS
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Todo mundo se machuca, às vezes…


Tenho medo de pessoas que não reconhecem que são finitas, pequenas e que a vida nos atinge em cheio.

Várias vezes.
Sonhos despedaçam-se.
Tristeza bate na alma.

Afinal, ‘todo mundo se machuca, às vezes…’

Não saber lidar com isto, e negar, é o caminho da solidão.

E é interessante perceber que isto começa a bater forte no fim do ano.

Todo fim do ano…  Continue lendo “Todo mundo se machuca, às vezes…”

Conversão…

Raridade hoje?
Raridade hoje?

Conversando com amigos de ministério no último sábado, um assunto veio a mesa e até agora não me sai da cabeça. Na verdade não tem me saído da cabeça já há alguns meses. Infelizmente a igreja protestante tem deixado de ter em suas fileiras homens e mulheres convertidos. Se assustou? Eu também…

O Senhor Jesus me converteu em outubro de 1996. Lembro que foram alguns meses de luta interna, pois não me parecia o melhor caminho a seguir, mas a sua irresistivel Graça alcançou-me naquele começo de outubro. Lembro que naquela madrugada de sábado para domingo, eu cai em tremendo choro em meu quarto diante de algo belo e vivo. Não tinha como voltar atrás, fui alcançado com um amor e certeza de não poder andar pelos caminhos que andava antes. No domingo eu queria ir até a igreja, reunir-me com meus irmãos, cantar aqueles cânticos que naquele instante passaram a ter real sentido e ao mesmo tempo declarar ao mundo que eu pertencia ao Senhor Jesus.

A metanóia estava instaurada: não podia viver do mesmo jeito que vivia. Isto já começou no primeiro dia da conversão. Sem saber nada de Bíblia, uma coisa eu tinha certeza: a vida com Cristo deveria ser uma nova vida!

No processo soberano da conversão, o Senhor usa a pregação da Palavra. A forma inteligível de entendimento do texto bíblico. Dizer o que o texto diz é uma forte arma argumentativa, mesmo sabedores que Deus usa a revelação apartir dEle mesmo para que o homem natural possa ter a neblina que o cega retirada.

E muita coisa tenho visto na igreja. Não só eu tenho visto, mas o mundo tem visto. E até o momento não vi a igreja ser foco das atenções por estar pregando a Palavra centrada nas Escrituras, com boa doutrina e vida ética. As manchetes chamam mais atenção pelo lado obscuro e vida destituída da ética/moral cristã.

E neste bonde as igrejas estão abarrotadas de pessoas que não tem tido muito tempo para mudar suas vidas pela transformação do Evangelho genuíno.

Nunca pensei que diria isto: tenho saudades do tempo em que uma pessoa entrava na igreja e algum tempo depois você quase não a reconhecia pois ela havia se transformado numa nova criatura…

Esta afirmação não passava em minha cabeça, pois simplesmente esta deveria ser o normal na comunidade da fé. Mesmo que em nosso meio sempre existiu – e existirá- pessoas simpatizantes ou que precisam de uma ajuda religiosa, o número de convertidos hoje é menor do que muitos pensam.

Ai fica o desafio para os que não desistiram da igreja:
– Buscar a genuína pregação da Palavra;
– não se envergonhar de usar a mente que o Senhor nos deu e PENSAR a fé;
– Entender que estudar doutrina é algo necessário e deve fazer sentido na nossa prática diária;
– Não dividir a vida em departamentos, mas viver a fé no dia a dia;

Fica ai uma das músicas mais lindas sobre conversão que já ouvi:

Já perceberam que nem sobre a conversão cantamos mais?
Qual foi a última vez que você cantou junto com os irmãos um cantico que fala sobre conversão?

Agora é com vocês!

Comentem!

Ontem conheci Eduardo…

Uma Nação que olha para baixo!

Sim, ontem conheci Eduardo. Um rapaz de 32 anos de idade, negro, soropositivo e completamente desnutrido. Não tenho como dizer a altura dele, pois de tão debilitado ele não conseguia mais se levantar. Ele estava caído, jogado em cima de pedaços de papelão e coberto por um cobertor sujo. Estava ali há mais de 24 horas. Ele havia chegado numa cadeira de rodas que foi roubada na madrugada por dois homens bêbados. Eles o jogaram no chão e sem dó – por pura e insana “diversão” – roubaram a cadeira de um homem que mal tinha força para falar.

Eduardo estava sozinho, sem família para o ajudar em seus momentos finais. Haviam alguns desconhecidos querendo ajudá-lo a ter a dignidade perdida, mesmo que no momento de proximidade com a morte. Aquele rapaz estava jogado a própria sorte, enquanto muitos passavam como se nada estivesse acontecendo.

Por pura pressão e misericórdia, foi chamado o pessoal que trabalha com Assistência Social da prefeitura. Chegaram e verificaram o quadro. E com olhares perdidos e tristes atestaram a falência do municipio: Não podemos fazer nada! Porque? Os abrigos só tem vagas para quem pode “se virar sozinho”, portanto Eduardo não era um caso social, mas médico!

Chamamos os Bombeiros. Para nossa surpresa eles já tinham vindo mais cedo ver o estado daquele homem quase moribundo. Ao ser perguntado qual seria a melhor solução para aquele homem, o médico bombeiro preferiu discursar antes sobre seu curriculo acadêmico e afirmar que era cristão. Fiquei boquiaberto diante de tal início de conversa. Depois de falar sobre sua vida acadêmica e religiosa, o médico disse que o caso de Eduardo não era caso médico, mas social. E para me deixar ainda mais boquiaberto, o médico confessou que se levasse o rapaz para um hospital e os médicos verificasem que o caso dele fosse somente internação o pessoal do plantão “viria com sete pedras nas mãos para cima de mim”. E não era o caso de manchar o curriculo deste bravo médico dos bombeiros, né? Afinal Eduardo não lembrava nem o nome da mãe, nem sua data de nascimento e que era um cidadão brasileiro! Cidadania? Pra que? Ou pra quem?

Então chegou a SAMU e instaurou-se um caso ainda mais particular: o pobre Eduardo estava deitado, cheio de dores. E em estado total de esquecimento que ele era um ser humano e merecia cuidados. Ao redor dele estavam representantes do município(Assistencia Social da prefeitura), do Estado(Bombeiros) e Federal (Samu), que em uníssono cantavam a canção do descaso: um jogava a vida e cuidados do Eduardo para o colo e incompetência do outro.

Na porta da SAMU havia uma inscrição: BRASIL, UM PAÍS DE TODOS.

Será que o soropositivo, negro e abandonado Eduardo merecia este país? Um Brasil? UM PAÍS DE TODOS? Pude verificar isto na realidade, ali mesmo nas ruas. Ali eu vi o ESTADO petrificado em decidir se o caso daquele moribundo rapaz era SOCIAL ou MÉDICO! Percebi de forma inconteste, que o problema não era o pobre Eduardo, mas de um país hipócrita! Onde prefere-se que a resolução destes miseráveis seja a chegada de um rabecão e o pessoal do IML. Para que dar vida e cuidados ao Eduardo? Afinal, vai ser jogado novamente nas ruas! Esta é a lógica de um soberano e impávido colosso! Fechamos os olhos para casos de Eduardo, assim como fazemos o mesmo com Sarneys e afins.

Ficamos ali, observando até o fim: decidiram levar o rapaz para o hospital.

Então Eduardo abriu sua boca e falou algo que demonstra que ele sabe como é o descaso com o doente pobre neste país:
“Vocês vão me levar para o hospital pra que? Os médicos vão me jogar na rua de novo. Não vão me atender de novo!”

Ficamos duas horas de pé velando e pedindo a Deus que desse o mínimo de dignidade aquele homem quase moribundo. Ouvir da voz de um homem em estado final que lhe esta sendo negado a dignidade e cidadania me fizeram explodir num choro que a muito não tinha. O choro de ver que este país é feito de fatos como estes TODOS os dias e a nação esquece que isto acontece! Seja no futebol ou carnaval! Vivemos anestesiados, sorrindo de não sei o que.

Quantos Eduardos terão que morrer para que este Brasil volte a ter um coração de carne e sangue pulsando?

Comecei a lembrar dos homens que roubaram a cadeira de rodas do Eduardo. Que sairam rindo e gritando pela rua. Não estavam nem ai para o moribundo, mas viam somente a oportunidade de se divertir com a cara do rapaz. E pensei na hora: As intituições de saúde e assistencia social tem feito muito bem o seu papel de roubarem cadeiras e dignidades de tantos seres humanos abandonados pela vida e que moram nas ruas. Passam de Kombi ou ambulâncias por eles e o som das sirenes se parecem muito com as risadas dos bêbados ladrões de cadeiras de roda.

Deus um dia terá um encontro com esta Nação e isto me faz gelar. Os olhos de Deus estão atentos. E a igreja continua numa grande letargia. Até quando calaremos o som dos gritos dos miseráveis? Não podemos mais agir da mesma forma!

Deus tenha misericórdia de todos nós!

Pedras clamando…

Sensato, sincero e sensível! Ótima percepção do mal que tem atingido a igreja em cheio!
Pena não ter nascido da reflexão de um dos nossos… Pelo menos que eu saiba!

Os negritos são de meu próprio punho!

Direto da Folha de São Paulo, como um verdadeiro soco na boca do estômago:

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Neopaganismo evangélico

Estava passeando pela TV quando dei com um culto da Igreja Mundial do Poder de Deus. Teria rapidamente mudado de canal se não tivesse acabado de ler o interessante livro de Ronaldo de Almeida, “A Igreja Universal e seus Demônios – Um Estudo Etnográfico” [ed. Terceiro Nome, 152 págs., R$ 28], que me abriu os olhos para o lado especificamente religioso dos movimentos pentecostais. Até então, via neles sobretudo superstição, ignorando o sentido transcendente dessas práticas religiosas.

No culto da TV, o pastor simplesmente anunciou que, dado o aumento das despesas da igreja, no próximo mês, o dízimo subia de 10% para 20%. Em seguida, começou a interpelar os crentes para ver quem iria doar R$ 1.000, R$ 500 e assim foi descendo até chegar a R$ 1.

Notável é que o dízimo não era pensado como doação, mas simplesmente como devolução: já que Deus neste mês dera-lhe tanto, cabia ao fiel devolver uma parte para que a igreja continuasse no seu trabalho mediador. Em suma, doar era uma questão de justiça entre o fiel e Deus.

Em vez de o salário ser considerado como retribuição ao trabalho, o é tão só como dádiva divina, troca fora do mercado, como se operasse numa sociedade sem classes. Isso marca uma diferença com os antigos movimentos protestantes, em particular o calvinismo, para os quais o trabalho é dever e a riqueza, manifestação benfazeja do bom cumprimento da norma moral.

Se o salário é dádiva, precisa ser recompensado. Não segundo a máxima franciscana “é dando que se recebe”, pois não se processa como ato de amor pelo outro. No fundo vale o princípio: “Recebes porque doastes”. E como esse investimento nem sempre dá bons resultados, parece-me natural que o crente mude de igreja, como nós procuramos um banco mais rentável para nossos investimentos.

O crente doa apostando na fidelidade de Deus. Os dísticos gravados nos carros, “Deus é fiel”, não o confirmam? Mas Dele espera-se reciprocidade, graças à mediação da igreja, cada vez mais eficaz conforme se torna mais rica. Deus é pensado à imagem e semelhança da igreja, cujo capital lança uma ponte entre Ele e o fiador.

Anticalvinismo
Além de negar a tradicional concepção calvinista e protestante do trabalho, esse novo crente não mantém com a igreja e seus pares uma relação amorosa, não faz do amor o peso de sua existência.

Sua adesão não implica conversão, total transformação do sentido de seu ser; apenas assina um contrato integral que lhe traz paz de espírito e confiança no futuro. Em vez da conversão, mera negociação. Essa religião não parece se coadunar, então, com as necessidades de uma massa trabalhadora, cujos empregos são aleatórios e precários?

Outro momento importante do livro é a crítica da Igreja Universal ao candomblé, tomado como fonte do mal. Essa crítica não possui apenas dimensões política e econômica, assume função religiosa, pois dá sentido ao pecado praticado pelo crente. O pecado nasce porque o fiel se afasta de Deus e, aproximando-se de uma divindade afro-brasileira, foge do circuito da dádiva. Configura fraqueza pessoal, infidelidade a Deus e à igreja.

Nada mais tem a ver com a ideia judaico-cristã do pecado original. Não se resolve naquela mácula, naquela ofensa, que somente poderia ser lavada pela graça de Deus e pela morte de Jesus, mas sempre requerendo a anuência do pecador.

Se resulta de uma fraqueza, desaparece quando o crente se fortalece, graças ao trabalho de purificação exercido pelo sacerdote. O fiel fraquejou na sua fidelidade, cedeu ao Diabo cheio de artimanhas e precisa de um mediador que, em nome de Deus, combata o Demônio. O exorcismo é descarrego, batalha entre duas potências que termina com a vitória do bem e a purificação do fiel.

Paganismo
Compreende-se, então, a função social do combate ao candomblé: traduz um antigo ritual cristão numa linguagem pagã. Os pastores dão pouca importância ao conhecimento das Escrituras, servem-se delas como relicário de exemplos. Importa-lhes mostrar que o Diabo, embora tenha sido criado por Deus, depois de sua queda se levanta como potência contra Deus e, para cumprir essa missão, trata de fazer o mal aos seres humanos.

O mal nasce do mal, ao contrário do ensinamento judeu-cristão que o localiza nas fissuras do livre-arbítrio. Adão e Eva são expulsos do Paraíso porque comeram o fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal e assim se tornam pecadores, porque agora são capazes de discriminar os termos dessa bipolaridade moral.

Essa teologia pentecostal se aproxima, então, do maniqueísmo. Como sabemos, o sacerdote persa Mani (também conhecido por Maniqueu), ativo no século 3º, pregava a existência de duas divindades igualmente poderosas, a benigna e a maligna. Isso porque o mal somente poderia ter origem no mal. A nova teologia pentecostal empresta o mesmo valor aos dois princípios e, assim, ressuscita a heresia maniqueísta, misturando o cristianismo com a teologia pagã.

José Arthur Giannotti, na Folha de S.Paulo.


Direto do Pavablog

O Perigo do Tsunami

Cidade assolada após um tsunami

Hoje conversei com dois amigos e sai do papo pensando sobre como somos vulneráveis em nossas crenças. No papo falamos sobre a falência das certezas, onde pessoas esclarecidas vão atrás da primeira onda que lhes faça sentido. Mesmo que a onda nem tenha estrutura para ser uma ‘marola’, acaba tendo uma força de um tsunami.

Assim parece funcionar a cabeça de muita gente. Experiências estão falando mais do que qualquer coisa que possa ter um senso de realidade. Tudo vale, tudo mesmo! Ai sobra pouca coisa. Não basta intelecto se as emoções falam com uma potência enorme… Equilíbrio passa longe, bem longe…

Lembro de quando vi um video do Tsunami. O que mais me impressionou era a volta das águas ao mar: tudo era tragado ao infinito do mar! O que antes era uma cidade, agora nem um esboço de cidade existia. TUDO era retirado de lugar e parecia que nunca haviam passado pessoas por ali!

Esta imagem me vem a mente quando penso nesta busca desenfreada por experiências incertas. No primeiro momento parecem as águas de um tsunami rasgando tudo por dentro trazendo mudanças completamente radicais nas estruturas. Só que o maior estrago é a saída das águas: Na maioria das experiências religiosas frustradas, o que há de pior é o vazio desestruturado que muitas crenças deixam nas cabeças de muitos. Tudo por dentro é escombro, lama, vazio caótico…

Em busca do espiritual, enche-se a mente de qualquer coisa. Se tem sentido ou não, isto é o de menos. O importante é crer! Ai tudo se esvai levado a um mar infinito e agora cinza de frustrações.

Eu quero mergulhar o mais profundo que puder no conhecimento de Deus. Sei que com isso ficarei de frente a coisas que minha mente não conseguirá alcançar. Só que, quando leio as Escrituras, vejo um Deus que valoriza o intelecto que me deu. Um Deus que me chama a dar razão de minha fé e não para me tornar num “ser espiritual”. Vejo Cristo chamando discípulos que antes eram inimigos dEle e hoje tornaram-se gente.

E nada me tira da cabeça que Ele chamou os discípulos de amigos, pois eles haveriam de se tornar gente!