Posts com Tag ‘solidão’


Tenho medo de pessoas que não reconhecem que são finitas, pequenas e que a vida nos atinge em cheio.

Várias vezes.
Sonhos despedaçam-se.
Tristeza bate na alma.

Afinal, ‘todo mundo se machuca, às vezes…’

Não saber lidar com isto, e negar, é o caminho da solidão.

E é interessante perceber que isto começa a bater forte no fim do ano.

Todo fim do ano…  (mais…)

Free hugs

Publicado: 6 06UTC janeiro 06UTC 2011 em Sem categoria
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Muitos já escreveram sobre o papel da afetividade no relacionamento. Não importa qual nível de relacionamento, um simples abraço desperta um gama de sentimentos que nem a mente humana pode conter.

Não é a toa que em tempo de isolamento, campanhas como o free hugs, os famosos ‘abraços grátis’, fazem sucesso em paises de culturas tão dispares quanto Brasil e Japão. Há uma espécie de ‘cultura do eu’ acima de qualquer funcionalidade que um realcionamento possa exercer. Vivemos tempos de I-pad, I-pod e afins. O eu tem comandado tudo, a solidão a dois se solidifica.

A igreja neste sentido expõe o fato de tão imersa na cultura em que vive, repete todos os sinais de sua sociedade. E isto acontece, querendo nós ou não. Não é raro as pessoas ficarem em igrejas durante anos e nunca ao menos serem inseridas na comunidade. Não é difícil ouvir casos em que membros de igrejas buscam na comunidade uma espécie de bunker que os protejam do outro. E tudo isto em meio a comunidade!

Coisas como estas, que muitos lideres querem esconder embaixo de acarpetadas catedrais, acontecem e acabam por demonstrar o óbvio: estamos deixando de viver a igreja como comunidade!  A igreja deve e muito ultrapassar o fato de ser uma reunião de pessoas de culturas diferentes que se isolam em guetos dentro do próprio gueto. A argumentação isolacionista, que parece querer perpretar a inutilidade da vida comunitária da igreja, não consegue perceber que isto na verdade é uma aniquilação do porque existe a própria igreja.

Todos os dias da semana pela manhã em minha igreja acontece uma reunião de oração. Lá uma irmã querida, que com seus mais de 80 anos de idade, consegue encarnar em seus passos pequenos e firmes o ideal de afetividade comunitária. Um simples abraço daquela querida irmã, traz consigo uma vontade de repetir com todos os outros irmãos da fé aquele gesto. Um abraço encorpado de amor, cuidado e carinho sinceros. Um simples e profundo abraço. Hoje pela manhã uma outra senhora que ainda estava sob o luto da perda de seu querido marido foi abraçada de uma forma terna por esta querida irmã. Apos o rolar de uma lágrima, esta senhora falou: “Querida, como eu gosto de ser abraçada por você. Quando você me abraça me sinto consolada por Jesus.”

Fiquei parado diante de tal cena. Minha mente e coração entraram em ebulição por começar a refletir se meu carinho e cuidado por meus irmãos chegam aquele nível de simplicidade e verdade de um mero abraço. Lembrei-me das palavras de nosso Senhor de que ele está conosco até a consumação dos séculos. E como creio que Ele esta conosco, será que eu tenho sido um expressão do Amor dEle por mim aos meus irmãos?

Será que o afeto que tenho por eles tem sido verdadeiro e expressão de minha comunhão com Cristo? Ou tenho sido mero repetidor da cultura do eu, deixando de ser benção na vida de tantos que precisam ser consolados, amados e encorajados viverem a sombra de Cristo?

Estas respostas vou aprendendo e caminhando.

E te convido a caminhar esta estrada COMIGO pois cristianismo se faz junto!

Nunca separados!

Uma Nação que olha para baixo!

Sim, ontem conheci Eduardo. Um rapaz de 32 anos de idade, negro, soropositivo e completamente desnutrido. Não tenho como dizer a altura dele, pois de tão debilitado ele não conseguia mais se levantar. Ele estava caído, jogado em cima de pedaços de papelão e coberto por um cobertor sujo. Estava ali há mais de 24 horas. Ele havia chegado numa cadeira de rodas que foi roubada na madrugada por dois homens bêbados. Eles o jogaram no chão e sem dó – por pura e insana “diversão” – roubaram a cadeira de um homem que mal tinha força para falar.

Eduardo estava sozinho, sem família para o ajudar em seus momentos finais. Haviam alguns desconhecidos querendo ajudá-lo a ter a dignidade perdida, mesmo que no momento de proximidade com a morte. Aquele rapaz estava jogado a própria sorte, enquanto muitos passavam como se nada estivesse acontecendo.

Por pura pressão e misericórdia, foi chamado o pessoal que trabalha com Assistência Social da prefeitura. Chegaram e verificaram o quadro. E com olhares perdidos e tristes atestaram a falência do municipio: Não podemos fazer nada! Porque? Os abrigos só tem vagas para quem pode “se virar sozinho”, portanto Eduardo não era um caso social, mas médico!

Chamamos os Bombeiros. Para nossa surpresa eles já tinham vindo mais cedo ver o estado daquele homem quase moribundo. Ao ser perguntado qual seria a melhor solução para aquele homem, o médico bombeiro preferiu discursar antes sobre seu curriculo acadêmico e afirmar que era cristão. Fiquei boquiaberto diante de tal início de conversa. Depois de falar sobre sua vida acadêmica e religiosa, o médico disse que o caso de Eduardo não era caso médico, mas social. E para me deixar ainda mais boquiaberto, o médico confessou que se levasse o rapaz para um hospital e os médicos verificasem que o caso dele fosse somente internação o pessoal do plantão “viria com sete pedras nas mãos para cima de mim”. E não era o caso de manchar o curriculo deste bravo médico dos bombeiros, né? Afinal Eduardo não lembrava nem o nome da mãe, nem sua data de nascimento e que era um cidadão brasileiro! Cidadania? Pra que? Ou pra quem?

Então chegou a SAMU e instaurou-se um caso ainda mais particular: o pobre Eduardo estava deitado, cheio de dores. E em estado total de esquecimento que ele era um ser humano e merecia cuidados. Ao redor dele estavam representantes do município(Assistencia Social da prefeitura), do Estado(Bombeiros) e Federal (Samu), que em uníssono cantavam a canção do descaso: um jogava a vida e cuidados do Eduardo para o colo e incompetência do outro.

Na porta da SAMU havia uma inscrição: BRASIL, UM PAÍS DE TODOS.

Será que o soropositivo, negro e abandonado Eduardo merecia este país? Um Brasil? UM PAÍS DE TODOS? Pude verificar isto na realidade, ali mesmo nas ruas. Ali eu vi o ESTADO petrificado em decidir se o caso daquele moribundo rapaz era SOCIAL ou MÉDICO! Percebi de forma inconteste, que o problema não era o pobre Eduardo, mas de um país hipócrita! Onde prefere-se que a resolução destes miseráveis seja a chegada de um rabecão e o pessoal do IML. Para que dar vida e cuidados ao Eduardo? Afinal, vai ser jogado novamente nas ruas! Esta é a lógica de um soberano e impávido colosso! Fechamos os olhos para casos de Eduardo, assim como fazemos o mesmo com Sarneys e afins.

Ficamos ali, observando até o fim: decidiram levar o rapaz para o hospital.

Então Eduardo abriu sua boca e falou algo que demonstra que ele sabe como é o descaso com o doente pobre neste país:
“Vocês vão me levar para o hospital pra que? Os médicos vão me jogar na rua de novo. Não vão me atender de novo!”

Ficamos duas horas de pé velando e pedindo a Deus que desse o mínimo de dignidade aquele homem quase moribundo. Ouvir da voz de um homem em estado final que lhe esta sendo negado a dignidade e cidadania me fizeram explodir num choro que a muito não tinha. O choro de ver que este país é feito de fatos como estes TODOS os dias e a nação esquece que isto acontece! Seja no futebol ou carnaval! Vivemos anestesiados, sorrindo de não sei o que.

Quantos Eduardos terão que morrer para que este Brasil volte a ter um coração de carne e sangue pulsando?

Comecei a lembrar dos homens que roubaram a cadeira de rodas do Eduardo. Que sairam rindo e gritando pela rua. Não estavam nem ai para o moribundo, mas viam somente a oportunidade de se divertir com a cara do rapaz. E pensei na hora: As intituições de saúde e assistencia social tem feito muito bem o seu papel de roubarem cadeiras e dignidades de tantos seres humanos abandonados pela vida e que moram nas ruas. Passam de Kombi ou ambulâncias por eles e o som das sirenes se parecem muito com as risadas dos bêbados ladrões de cadeiras de roda.

Deus um dia terá um encontro com esta Nação e isto me faz gelar. Os olhos de Deus estão atentos. E a igreja continua numa grande letargia. Até quando calaremos o som dos gritos dos miseráveis? Não podemos mais agir da mesma forma!

Deus tenha misericórdia de todos nós!

O Twitter saiu do ar… Suspense no mundo!

Exagero? Para algumas pessoas o sentimento de vazio foi enorme! Um vazio de duas horas, período em que durou o ataque hacker no microblog. Alguns, segundo grandes jornais, disseram que ficaram aflitos. Outras diziam que não havia motivo para terminar nada do que estava fazendo enquanto o microblog não voltasse: voltariam a trabalhar quando tudo voltasse ao normal! Li que um usuário estava desorientado porque não podia dizer ao mundo o que estava fazendo naquele exato momento…

Ai lembrei-me de uma aula de filosofia do seminário em que o professor falou que hoje o pensamento/reflexão tornou-se tarefa para muito poucos. Quando ele falava isto, estava afirmando que se há algumas décadas já eram poucas as cabeças pensantes, hoje os que se preocupam em ruminar pensamentos para ter uma uma opinião sobre algo, tornou-se um circulo ainda menor. Não tive como discordar.

Lembrei hoje daquela aula, justamente por causa da queda do site do Twitter. Não tive como pensar e tirar um grande sorriso ao pensar o seguinte: imaginem 6 meses sem Wikipedia! O emburrecimento desta geração estaria ainda mais exposto. Se as informações da enciclopédia virtual já não é das mais confiáveis, imagina a sua interrupção por causa de hackers?

Será que o povo deixaria de “copiar e colar” os textos do famigerado site e passariam a descobrir que existe uma “coisa” chamada livro? Eles entenderiam que o cérebro pode guardar informações em quantidades maiores do que o maior dos HDs? Acho eu que até mesmo ficariam boquiabertos: o mundo do pensamento ultrapassa o mundo dos fóruns que infestam a internet! E pasmem: perceberiam que a discussão face a face, pode ser extremamente saudável!

Enfim… Que a vida ultrapassa o mundo dos bits!

Hoje muitos se sentiram solitários porque o twitter saiu do ar. Será que os hackers fizeram um grande favor de avisá-los que por duas horas ficaram de frente a um espelho?

Fica esta pequena reflexão que não foi copiada do wikipedia! rssssssssss

PAZ!