Zeca Pagodinho e as tempestades

Publicado: 5 05UTC janeiro 05UTC 2013 em Sem categoria

Todo começo de ano acontecem as tragédias causadas pelas fortes chuvas de verão.  Algo esperado. Aguardado. E mesmo assim, pouca coisa sai do papel para prevenção. A tragédia SEMPRE anunciada todo ano é assistida por milhões neste país. Apresentadores de tragédias televisivas ficam em polvorosa. Afinal, os índices de audiência sobem muito e seus bolsos enchem com mais alguns milhões diante do aumento do valor dos anúncios que patrocinam seus programas.

A partir dai, vemos milhares de esforços para recolher doações em vários pontos da cidade.

Começam as ‘aparições’ de celebridades com camisas brancas com frases de efeito estampadas. Tudo com fundo branco, para facilitar na projeção da imagem preparada no chroma key.

Sorrisos abertos e largos.
Cabelos bem feitos.
Maquiagens ‘certinhas’.
E claro, sempre com a legenda rápida avisando da doação do cachê para a campanha.

Estas expectativas anuais sobre os casos das chuvas, nos fez ter um grande espanto em ver um cantor popular como Zeca Pagodinho aparecer na TV ajudando as vítimas.

Sim, um cantor todo molhado de chuva.
Rosto que estampa um horror de estar no meio da tragédia.
Cabelos desgrenhados.
Sem maquiagem alguma, mas com o rosto cheio de marcas da vida.
E sem legenda de doação de cachê, pois o povo que havia morrido ou perdido tudo ele conhecia de nome.

Um Zeca ágil na ajuda. Apressado em prover algo que pudesse ajudar de fato gente pobre, desfavorecida e esquecida.
Um Zeca esperto na correria de achar alguma forma de ajuda que pudesse diminuir o caos.
Um Zeca que abre sua casa, sem se importar no que isso traria a seu cotidiano.

Isso acaba dando notícia. Cenas como esta viram primeira página de jornal. Atitudes assim nos causam espanto.

Afinal CELEBRIDADES não fazem isso.

CELEBRIDADES
tem feições de nojo à realidade que as cerca.

Até porque as pessoas que alçam suas vidas como CELEBRIDADES, as querem nos pedestais de afastamento.
Um canto diferente da vida real.
Gente que ama viver em cômodos feitos de móveis e paredes brancas.
Sem sujeira, sem vida, sem movimento.

Enquanto isto, Zeca não saiu do meio da vida.
Até porque suas canções descrevem a vida real.
De gente que falha, sente saudade e tenta dar a volta por cima.
E neste mundo que transformou a vida em produto de consumo, este artigo não é muito valorizado.

O que se quer é Copacabana com fogos de artificio e celebração do Ano Novo: Pirotecnia, esperança e futuro diferente!

Ninguém quer ver o lixo deixado na praia às 6 da manhã, de gente que diz querer ser diferente do que foi no ano anterior.

Por estas coisas tenho preferencia por um belo arroz e feijão bem temperado que às iguarias frias e bem posicionadas em pratos quadrados ou sextavados.

Por estas e outras prefiro a companhia de gente que não abre mão de ser o que é.

Até porque é em meio as tragédias, que as faces escondidas dão ‘as caras’.

O cheiro dos melhores perfumes muitas vezes esconde o medo de revelar-se pequeno e fraco.

Olho pra Jesus e percebo nEle um modelo simples e profundo: Um Deus que se despiu de sua glória e andou em meio a todos!

Ele, sim, o mesmo Deus que não faz acepção de pessoas!

Ele, sim, que sentava-se com prostitutas e autoridades governamentais.

Ele, sim, que nunca deixou de ser o que é: SALVADOR!

NEle posso perceber que os holofotes só nos desfiguram: Transformam-nos em algo que na verdade não somos.

NEle percebo a solidariedade de um Deus que deu sua vida em sua Missão Redentora!

Por isso creio que o Senhor tem usado o sambista Zeca Pagodinho, para que possamos entender que a vida demanda IMPORTAR-SE com o outro e saber-se IGUAL ao outro!

Coisa muito diferente do consumismo de pessoas que temos vivido nestes dias tão cinzas!

Que Deus tenha misericórdia de nós!

Igreja é lugar de GENTE que traz consigo sua óbvia imperfeição. Afinal é GENTE!

Até porque, convenhamos, arrependimento nasce de GENTE que percebe sua pequenez e dá um ‘mata leão’ em si mesmo.

Todos os dias!

Agora, tenho muito medo dos ROBÔS
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Tenho medo de pessoas que não reconhecem que são finitas, pequenas e que a vida nos atinge em cheio.

Várias vezes.
Sonhos despedaçam-se.
Tristeza bate na alma.

Afinal, ‘todo mundo se machuca, às vezes…’

Não saber lidar com isto, e negar, é o caminho da solidão.

E é interessante perceber que isto começa a bater forte no fim do ano.

Todo fim do ano…  Leia o resto deste post »

Sou Forasteiro…

Publicado: 11 11UTC junho 11UTC 2012 em Sem categoria

Forasteiro: adj. e s.m. Que é de fora, estrangeiro, peregrino, estranho.

Hoje andando de volta para minha casa estava ouvindo uma música.
A letra era era profunda.
A letra expressava o Salvador que Cristo É.
A letra colocava Cristo no Centro de TUDO.

Aquilo bateu fundo.
O coração disparou.
Tudo ao redor perdeu seu sentido. Leia o resto deste post »

Experiência da Cruz

Publicado: 11 11UTC junho 11UTC 2012 em Sem categoria

“Com efeito, é evidente quão nos é necessária a experiência da cruz. Pois, não é de pouca importância que te limpes do cego amor por ti mesmo, para que te faças plenamente consciente de tua fraqueza; que sejas imbuído do senso de tua própria fraqueza, para que aprendas a não confiar em ti; que deixes de confiar em ti, para que transfiras a Deus tua confiança; com confiança de coração descansares em Deus, para que, sustentado por seu auxílio, perseveres invencível até o último instante; que te firmes em sua graça, para que compreendas que ele é verdadeiro em suas promessas; que descubras a certeza de suas promessas, para que daí a esperança te fortaleça.” João Calvino, Institutas da Religião Cristã, Livro III, Capítulo VIII.

Este texto escrito pelo reformador francês João Calvino, parece um pouco fora da luz que guia os holofotes cristãos dos dias de hoje.

Carregar a sua cruz é para os derrotados.
Os que simplesmente dão ‘brecha’ ou enfraqueceram na luta de ser um poderoso servo de Cristo.

As palavras de ordem dos cânticos são: vitória, poder, força e conquista.
Sempre andando junto com verbos conjugados na primeira pessoa do singular(EU).
Esta junção gramatical é destruidora da realidade humana.
E principalmente da realidade do que seria a vida cristã.

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Forasteiro

Publicado: 10 10UTC maio 10UTC 2012 em Sem categoria
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Acaba de ser lançado o primeiro single do grande Samuel Úria. O single chama-se ‘Forasteiro’ e em minha opinião é uma das melhores canções lançadas por ele!

Segue ai o video oficial da canção e a letra(enviado pelo próprio Samuel) para ouvirmos mais e mais!

 

Forasteiro

Se o mundo é uma pedra de tropeço, eu arremesso-o
E ofereço a esfera ao espaço, está suspenso o meu apreço.
Se o mundo me merece tanta prece, nem por isso
A mundos dou interesse, nem a crises dou acesso.

Se o mundo é uma bolha de lamento, eu arrebento
E tento não estar dentro se se encontra em pronto pranto.
Se o mundo não demora, que a agrura morra agora
E eu choro com quem chora pra os pescar do mundo fora.

Não não não tenham medo
Que o mundo foi vencido
E eu sou aliado.

Não não não tenham mundo
Que o medo foi criado
E eu sou doutro lado.

Se o mundo é só um espelho do que eu valho, então trabalho-o,
Definho o grilho velho que ainda escolho quando falho.
Se o mundo é só a mágoa com que meço, então despeço-o
E regresso ao troço estreito exterior ao Universo.

Tresmalho o rebanho,
Aqui eu sou estranho.
Minha marcha é recta;
A vida é rotunda.
O que não me afecta
Já não me afunda.

Não não não tenham medo
Que o mundo foi vencido
E eu sou aliado.

Não não não tenham mundo
Que o medo foi criado
E eu sou doutro lado.

Dias escuros, consumismo e muita luta

Publicado: 30 30UTC abril 30UTC 2012 em Sem categoria

Uma coisa que me assusta é a tal idéia de negação de dias escuros.

Esta obrigação da felicidade é uma verdadeira lástima, pois acaba negando ao ser humano conhecer suas sombras e ir direto a questões nevrálgicas da existência.

Percebo a cada dia uma específica construção de caminhos vitoriosos, sem pedras no caminho. Há uma edificação de caminhada de asfalto liso, sem rachaduras ou buracos.

E definitivamente, isto não constrói um ser humano.

Na verdade é erigido um ser sem sentimento.
Adormecido.
Um ser com uma queda para o uso de máscaras.

Isso me assombra, pois a cada dia vejo mais pessoas vestidas de felicidade.
Só que em suas casas, cada vez menores, tomam seus ansiolíticos pois ali a vida é real.

Creio que, como afirma Baumann, somos categorizados hoje como produtos.
Somos consumidos.

Sim, somos consumidos como é consumido um prato indicado por um blogue de culinária.
Ou como um qualquer outro bem de consumo.

A grande questão é que bens de consumo não são necessariamente duráveis, um certo momento perde-se a graça e o consumismo nos faz escolher outra fonte a ser consumida.
Ai há o descarte. A penumbra. O ocaso.

Isso é esquisito, pois é vivido e não assumido.

Creio, que de forma obviamente bem simplista, isso nos faz querer a reciclagem das aceitações e negações das crises.
Ficamos com medo de mostrar o que pensamos, sentimos ou mesmo cremos, pois há nisto o perigo do descarte.

Isso nos refreia a alma.
Congelamos.
Bem vindo a Era do Gelo!

Este congelamento faz com que haja em nossa sociedade ‘derrotados sorridentes’: gente que faz o que não gosta por causa do dinheiro que os faz sobreviver e que os mantêm infelizes enquanto escovam o dente para mais um dia de fuga das crises e problemas. Afinal, tem uma fila de gente querendo estar em seu lugar!

Tenho pensado sobre a negação dos dias escuros.
Uma falsa sinalização de que esta ‘tudo bem’.
Isso, não necessariamente ajuda.
Isso basicamente nos afunda.

No texto de Provérbios há a seguinte recomendação:
“Se te mostras fraco no dia da angústia, a tua força é pequena.” (Pv 24:10)

Este texto, ao contrário do que possa parecer, não é uma Ode Vida Vitoriosa.

Há aqui um pequeno jogo de palavras.
Fala de afundar e buscar apoio para levantar.

No texto hebreu há uma profunda condução para que num mundo onde estamos nos afundando, possamos observar a situação e tomar uma atitude em busca de apoio para não acontecer o afogamento.

A recomendação aqui é: você esta se afogando! Reconheça isto e busque algo pra que não afunde! Lute!

Por causa da ‘vida de aparências’ a louca e irônica recomendação de tempos pós-modernos é enquanto se afoga tome um ‘remedinho’.
Afinal, não é de bom tom gritar que esta doendo.

O texto hebreu faz este contraponto com o contemporâneo:
Grite! Peça ajuda! Não é momento de buscar compaixão!

Eu tenho gritado!

E que este grito lhe ajude a não se afogar!