Como Publicar um Livro

como-publicar-um-livroPra quem não sabe, trabalho como designer e diagramador há mais de 10 anos. Amo o que faço! MESMO!

Tenho um imenso prazer de realizar o sonho de tantos escritores que ficavam perambulando por ai sem saber como publicar um livro.

Desde que aprendi a fazer fanzines, apartir de colagens, eu não parei mais. Primeiro foi o PageMaker depois o Indesign. Quando reuni meu portfolio, fiquei boquiaberto por ver que já havia diagramado mais de 70 títulos!

Lembrei de muitos autores, que hoje estão à caminho de projeção, começando timidamente com seus títulos.

É maravilhoso participar do sonho de tanta gente! Enfim, convido você a conhecer meu portfolio online!

Clique e veja como publicar um livro!

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Voz de um pensador…

Heidegger

Escrito em 1935, mas lançado como livro em 1953

“Quando o recanto mais remoto do globo tiver sido conquistado pela técnica e explorado pela economia, quando um qualquer acontecimento se tiver tornado acessível em qualquer lugar a qualquer hora e com uma rapidez qualquer, quando se puder “viver” simultaneamente um atentado a um rei na França e um concerto sinfônico em Tóquio, quando o tempo for apenas rapidez, momentaneidade e simultaneidade e o tempo enquanto História tiver de todo desaparecido da existência de todos os povos, quando o pugilista for considerado o grande homem de um povo, quando os milhões de manifestantes constituírem um triunfo – então, mesmo então continuará a pairar e estender-se, como um fantasma sobre toda esta maldição, a questão: para quê? – para onde? – e depois, o que? O declínio espiritual da terra está tão avançado que os povos ameaçam perder a sua última força espiritual que [no que concerne o destino do “Ser”] permite sequer ver e avaliar o declínio como tal. Esta simples constatação nada tem a ver com um pessimismo cultural, nem tão-pouco, como é óbvio, com um otimismo; pois o obscurecimento do mundo, a fuga dos deuses, a destruição da terra, a massificação do homem, a suspeita odienta contra tudo que é criador e livre, atingiu, em toda a terra, proporções tais que categorias tão infantis como pessimismo e otimismo já há muito se tornaram ridículas”.

~ Martin Heidegger, em “Introdução à Metafísica”

Reginaldo Rossi

Sou filho de paraibanos. Os amigos de meus pais, em sua maioria, eram nordestinos. Cresci ouvindo música popular. Coisa que os ditos intelectuais chamam de música brega. Eu não me envergonho disto, bobagem de quem se acha menor por ter crescido em um ambiente que abarca manifestações artísticas de toda ordem.

Existe uma localidade em Niterói chamada Ititioca, uma quase embaixada do Nordeste na cidade na década de 80. Andando pelas ruas, em cada casa ouvia-se um dos pilares da música popular num volume mais alto que o outro. Músicas que enchiam as salas seja com simples violão, sanfona, flauta ou bater de palmas.

Em meio a esta sinfonia ouvia-se muito Reginaldo Rossi. E em minha mente estão registradas diversas canções. Inclusive as letras, mesmo que muitas capazes de fazer corar os cristãos mais ortodoxos.

Acaba de sair na imprensa que o cantor pernambucano faleceu vítima de um câncer no pulmão. De alguma forma, ele era a voz do povo simples e que se reconhecia em suas letras. Amores de verão, separações, saudade de sua terra ou simples nostalgia por um tempo que se passou. Enfim… o vazio que o ser humano carrega e busca ser preenchido.

Conheci muitos que ouviam suas canções em momentos de tristeza e se afundavam em tudo que pudesse ‘encharcar’ a alma vazia e sedenta. Seja em bebida ou mesmo num silêncio torturante de saudade em que os olhos descreviam cenários que hoje pareciam distantes. Sobrava o brilho da retina em olhos avermelhados.

Nisto somos todos iguais. Os que ouvem músicas populares ou aqueles que se entristecem por ouvir poemas tocantes de um Chico.

Há uma imensa saudade em nosso ser.
Eu chamo isto de saudade do Céu. De um Encontro. De Plenitude.

Encontrei isto em Jesus. E mesmo ouvindo musicas com tons e cores melancólicas, consigo enxergar que a saudade que este coração ainda sente, não esta localizada em coisas ou pessoas. Em Cristo, me vejo, num forte abraço com o sentido de TUDO!

Que o Senhor console a família de Reginaldo Rossi!

Futebol: meninice, violência e realidade

“Quando eu era menino,
falava como menino,
sentia como menino,
pensava como menino;…”

Quando eu era menino vivi momentos mágicos. Lembro de uma chuva de papel picado. Não era festa de fim do ano. Não era gol da Seleção Brasileira. Era 1983. Era gol do Flamengo contra o Santos na final do Brasileiro.

Quando eu era menino podia colecionar craques de verdade em álbuns onde eles eram carimbados como reconhecimento de sua arte.

Quando era menino ficava ouvindo no radio jogos épicos e alguns destes nem eram de meu Flamengo.

Quando era menino eu queria ser Zico, Sócrates, Dinamite, Rivelino, Falcão entre outros.

Quando era menino lia a revista Placar, onde havia reportagens sobre jogadores que davam suas vidas pelo seu clube de coração. Não era somente pelo dinheiro, mas havia também amor à camisa.

Quando era menino apesar do desconforto, eu ia ao estádio enfeitado. Cheio de bandeiras, Charangas e chuva de papel higiênico. Sim, rolos de papel higiênicos! Que desciam da arquibancada num lindo espetáculo.


…quando cheguei a ser homem,…”

Ontem vi cenas que fez o menino perceber que há também uma outra realidade.

Quando nos tornamos homem, é preciso ver a vida de forma diferente. E isso não tem em nada a ver com perder o viço da alegria infantil. É um caminho para perceber o que está a nossa volta.

Não há mais chuva de papel picado em final de campeonato. Nem com final do Flamengo, nem da Seleção.

Hoje os álbuns de figurinhas são vazios de craques e estes nem carimbados o são. Craques, mesmo que duvidosos, são de outros países. É só ver crianças com camisas de clubes europeus, pois os meninos de hoje conseguem demonstrar que algo esta errado aqui.

Hoje querem ser Cristiano Ronaldo, Messi, Ibra e tantos outros. E Neymar? Pode colocar também no bolo. Afinal quando eu era menino e lia Sandro Moreira, João Saldanha, Armando Nogueira aprendi que craques eram sobrenaturais. Figuras épicas. E isto me parece bem diferente do que há nos gramados destes dias.

Hoje a cultura é de celebridade. Tudo é montado para parecer o que na verdade não se é. Revista Placar ainda existe. Você sabia disto? O editoral é igual ao da revista Caras. Assim como não há mais sangue nas veias, também não há amor à camisa. Amor só ao dinheiro e ao noticiário que alimentam paparazzi e programas de fofocas/celebridades.

Hoje há o tal padrão Fifa. Tudo cheio de conforto. Não que eu seja contra. Creio ser o caminho de um desenvolvimento e respeito ao público. Pena que com isso haja a elitização nos estádios. O que também é um caminho natural, afinal futebol hoje é dinheiro.


“…desisti das coisas próprias de menino.”

Apóstolo Paulo em 1 Corintios 13.11

Ontem, sentado em meu sofá vejo o porque do uso ARENA ao que era estádio. Em meu sofá pude ver CLOSES de seres humanos chutando os outros. Covardes em bando pisando, chutando, socando outros. Barras de ferro, ou pedaços de pau eram armas.

Lembrei-me do que poderia ter me tornado.

Quando era adolescente me encantei com as ‘torcidas organizadas’. Fui em alguns jogos, ficava no meio dela e dizia em plenos pulmões que era membro desta ‘organizada’.

Ali foi uma das primeiras decepções com o mundo do futebol. Os membros da ‘torcida’ não eram Flamengo. Eles diziam ser. Só que na realidade torciam por si mesmos. E com isto, se orgulhavam de seus crimes cometidos. Vibravam mais com o poderio adquirido com brigas do que com os gols de Zico em seu fim de carreira.

Sai daquilo e nada muda minha opinião: estas FACÇÕES CRIMINOSAS deveriam ser banidas e muitos membros deveriam ser presos!

Ontem ali em meu sofá eu me revoltei, gritei, falava como se estivesse ali no meio daqueles bárbaros. Minha atitude se pareceu com quem queria apartar aqueles moleques e relembra-lhes que são adultos.

Até o momento que escrevo este texto, não há confirmações sobre mortes dos quatro feridos de maneira grave.

Na verdade quem morreu ontem fui eu.

Durante anos eu dizia que o futebol havia morrido no dia 06 de fevereiro de 1990 quando meu ídolo, Arthur Antunes Coimbra, parou de jogar.

Ontem minha paixão pelo futebol como um todo morreu, foi enterrada e agora curto o luto.

Se em 1990 a arte deste esporte morreu pra mim, ontem quem morreu foi o próprio esporte.

Com isto não digo que eu deixarei de ver jogos ou coisa parecida. O menino sobrevive e de vez em quando vem conversar comigo sobre o que vi. E isto me faz bem.

Só que o homem que sou me avisa que hoje o mundo é outro.

Um mundo que assiste a uma barbárie e, meia hora depois, volta ao espetáculo como se nada tivesse acontecido.

Para não perder a esperança neste mundo, decidi que algumas vezes chamarei o menino para brincar com uma bola de meia.

E creio que isto me basta!

Zeca Pagodinho e as tempestades

Todo começo de ano acontecem as tragédias causadas pelas fortes chuvas de verão.  Algo esperado. Aguardado. E mesmo assim, pouca coisa sai do papel para prevenção. A tragédia SEMPRE anunciada todo ano é assistida por milhões neste país. Apresentadores de tragédias televisivas ficam em polvorosa. Afinal, os índices de audiência sobem muito e seus bolsos enchem com mais alguns milhões diante do aumento do valor dos anúncios que patrocinam seus programas.

A partir dai, vemos milhares de esforços para recolher doações em vários pontos da cidade.

Começam as ‘aparições’ de celebridades com camisas brancas com frases de efeito estampadas. Tudo com fundo branco, para facilitar na projeção da imagem preparada no chroma key.

Sorrisos abertos e largos.
Cabelos bem feitos.
Maquiagens ‘certinhas’.
E claro, sempre com a legenda rápida avisando da doação do cachê para a campanha.

Estas expectativas anuais sobre os casos das chuvas, nos fez ter um grande espanto em ver um cantor popular como Zeca Pagodinho aparecer na TV ajudando as vítimas.

Sim, um cantor todo molhado de chuva.
Rosto que estampa um horror de estar no meio da tragédia.
Cabelos desgrenhados.
Sem maquiagem alguma, mas com o rosto cheio de marcas da vida.
E sem legenda de doação de cachê, pois o povo que havia morrido ou perdido tudo ele conhecia de nome.

Um Zeca ágil na ajuda. Apressado em prover algo que pudesse ajudar de fato gente pobre, desfavorecida e esquecida.
Um Zeca esperto na correria de achar alguma forma de ajuda que pudesse diminuir o caos.
Um Zeca que abre sua casa, sem se importar no que isso traria a seu cotidiano.

Isso acaba dando notícia. Cenas como esta viram primeira página de jornal. Atitudes assim nos causam espanto.

Afinal CELEBRIDADES não fazem isso.

CELEBRIDADES
tem feições de nojo à realidade que as cerca.

Até porque as pessoas que alçam suas vidas como CELEBRIDADES, as querem nos pedestais de afastamento.
Um canto diferente da vida real.
Gente que ama viver em cômodos feitos de móveis e paredes brancas.
Sem sujeira, sem vida, sem movimento.

Enquanto isto, Zeca não saiu do meio da vida.
Até porque suas canções descrevem a vida real.
De gente que falha, sente saudade e tenta dar a volta por cima.
E neste mundo que transformou a vida em produto de consumo, este artigo não é muito valorizado.

O que se quer é Copacabana com fogos de artificio e celebração do Ano Novo: Pirotecnia, esperança e futuro diferente!

Ninguém quer ver o lixo deixado na praia às 6 da manhã, de gente que diz querer ser diferente do que foi no ano anterior.

Por estas coisas tenho preferencia por um belo arroz e feijão bem temperado que às iguarias frias e bem posicionadas em pratos quadrados ou sextavados.

Por estas e outras prefiro a companhia de gente que não abre mão de ser o que é.

Até porque é em meio as tragédias, que as faces escondidas dão ‘as caras’.

O cheiro dos melhores perfumes muitas vezes esconde o medo de revelar-se pequeno e fraco.

Olho pra Jesus e percebo nEle um modelo simples e profundo: Um Deus que se despiu de sua glória e andou em meio a todos!

Ele, sim, o mesmo Deus que não faz acepção de pessoas!

Ele, sim, que sentava-se com prostitutas e autoridades governamentais.

Ele, sim, que nunca deixou de ser o que é: SALVADOR!

NEle posso perceber que os holofotes só nos desfiguram: Transformam-nos em algo que na verdade não somos.

NEle percebo a solidariedade de um Deus que deu sua vida em sua Missão Redentora!

Por isso creio que o Senhor tem usado o sambista Zeca Pagodinho, para que possamos entender que a vida demanda IMPORTAR-SE com o outro e saber-se IGUAL ao outro!

Coisa muito diferente do consumismo de pessoas que temos vivido nestes dias tão cinzas!

Que Deus tenha misericórdia de nós!

Todo mundo se machuca, às vezes…


Tenho medo de pessoas que não reconhecem que são finitas, pequenas e que a vida nos atinge em cheio.

Várias vezes.
Sonhos despedaçam-se.
Tristeza bate na alma.

Afinal, ‘todo mundo se machuca, às vezes…’

Não saber lidar com isto, e negar, é o caminho da solidão.

E é interessante perceber que isto começa a bater forte no fim do ano.

Todo fim do ano…  Continue lendo “Todo mundo se machuca, às vezes…”