Frases que o VENTO vem às vezes me lembrar


Era 1992.

Eu vivendo meus primeiros anos de grunge, ainda ouvindo muito punk rock e hardcore californiano.

Naqueles tempos só entrava em meus ouvidos música cantada em inglês… Se não era 100%, chegava a quase 90%.

Sou do tempo de locadoras de CD, coisa que parece loucura em tempos de MP3.

Num sábado fui locar um CD.

Meu irmão, Izidro Santos, me chama e fala, do alto de seus 13 anos:
“Você pode pegar um cd pra mim?”

Respondi:
“Claro! O que tu quer?”

Ele responde algo que fiquei sem entender o porque um moleque de 13 anos alugaria:
“Pega um tal de Clube da Esquina 1, pois um amigo falou que era legal. Qualquer coisa, é do Milton Nascimento.”

Estranhei, mas falei que sim.

Fui a locadora com um disco na cabeça: ‘Family Man’ do Black Flag!

Chegando lá aluguei o Black Flag e o tal Clube da Esquina, que naquela ocasião era em CD Duplo.
Quem se lembra como eram os CDs duplos no começo dos anos 90, vai lembrar que a capa mais grossa e parecia um trambolhão.

Cheguei em casa entreguei o CD do tal ‘Clube’ pro meu irmão e fui ouvir o Black Flag.

No outro dia, fui dar uma olhada naquela capa simplista e cheia de significados do Clube da Esquina 1.

Pensei:  “Porque não ouvir isso?”

Coloquei o  CD 1 e tocou isso ai…

Lembro até hoje do que senti quando ouvi aquilo. Creio que pela primeira vez em minha vida eu entendi o que era beleza.

Quando falo de beleza, falo daquele sentimento estranho.
Que paralisa.
Como se o sentido de que há algo maior, estivesse diante de meus olhos.

Eu com minha camisa do Metallica, estava sentado no chão. Em frente ao som. Sem conseguir parar de ouvir aquele disco.

Gravei, logicamente, numa fita de 90 minutos que se perdeu tempos depois.

Aquele disco inaugurou em mim uma reconciliação com a música brasileira.

Este ano o disco Clube da Esquina comemora 40 anos do lançamento.
Meu encontro com ele foi no ano em que ele completava 20 anos.
E com certeza, quero apresentar este disco aos filhos e netos.

Agradeço a Cristo por inspirar a beleza produzida por Milton, Lô, Beto Guedes, Toninho Horta e toda a trupe em 1972.

E agradeço também a meu irmão Izidro Santos, que com 13 anos de idade mostrou-me que havia música eterna.

Mesmo que naquele momento ele nem pensasse nisto.

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