Fica quieto…

O reality show “A Fazenda” tem andado na boca do povo. Mesmo não tendo a mesma repercussão do BBB, tenho visto o crescimento da audiência do programa. Inclusive, não há como zappear pela Record sem assistir nem que seja um minuto do programa que é divulgado à exaustão pela emissora.

Como acontece em todos reality shows, o grande acontecimento é a eliminação dos participantes do programa. E entre os integrantes do tal programa tem um cara que eu admiro. Muitos até ficarão de cabelos em pé, mas preciso confessar: sou fã de longa data do Carlinhos, mais conhecido como o Mendigo.

Acompanho há muito tempo o programa Pânico na rádio. Não tenho muitos motivos para ver as forçações de barra do programa da TV, que prefere a ótica do absurdo e baixaria. Diferentemente o programa de rádio sempre foi divertido aproveitando ao máximo convidados de gosto muitas vezes duvidoso. Lá aprendi a admirar a forma rápida que o Mendigo conseguia criar piadas de coisas muitas vezes simples. A rapidez do pensamento do humorista me assustava e me fazia morrer de rir. Outra coisa que chegava a ser inacreditável era o humorista que ‘pegava pilha’ com as brincadeiras dos companheiros de programa. Um humorista mau humorado é algo quase surreal!

O que muitos hoje descobriram, descobri há muito tempo: a raiz da forma rude daquele humorista e sua rapidez vinham da sua vida de menino de rua. A história de alguém que apanhava na Febem, da família e dos “amigos” da rua! Um cara sofrido que a vida transformou em um humorista dos bons! Aquela pedra ainda bruta que fazia rir, estava sendo lapidada pelo drama do abandono e violência de sua infância.

Um menino, que provavelmente, durante boa parte da vida deve ter sido colocado contra a parede. Deve ter ouvido de muitos que a vida não teria mais jeito, que tudo seria sofrimento e a solução devia ser o crime e a vida “fácil”. Só que houve uma reviravolta na história do então adolescente: apareceu uma senhora de uma das famílias mais ricas e por um ato de misericórdia tirou aquele garoto da rua. O menor infrator tornou-se office-boy interno na Jovem Pan.  E em pouco tempo aquele moleque trocava o horário do almoço para sentar no chão do estúdio e assistir o programa Pânico. Prestando atenção nos caras do programa, aproveitando oportunidades e confiando em seu talento, anos depois tornou-se  um humorista querido por muitos.

Como será o futuro dele? Não tenho a menor idéia. O que sei é que imensos talentos como o dele estão em praças, ruas e morros. Muitos esperando uma mão que fale sobre o talento deles, num discurso diferente dos jornais e telejornais que preferem exterminar toda uma geração que poderia ter um futuro diferente do que a vida tem se apresentado. Alguém que abra porta de educação e trabalho. Demonstrando com atos que a vida é muito mais que fugir da própria vida!

Ando nas ruas e vejo uma imensa quantidade de meninos de rua que tem talento. Não são meros mortos-vivos entorpecidos pela cola que vivem cheirando. São meninos que precisam de uma oportunidade e não de caras amarradas de uma legião de brasileiros que insistem em negar sua existência. Enquanto isto morrem de rir das piadas de um cara que foi um dos milhares de meninos que hoje poderiam estar no submundo do crime.

Deus faça esta Nação se arrepender de nossa omissão!

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