
Sabe o cheiro de um café feito no coador de pano e tomado em xícara de metal esmaltada? Aquele cheiro que convida as pessoas para o papo pela manhã. Conversa descompromissada. Daquelas cheias de graça e risos. Feitas de um material que parece perdido na correria dos dias loucos em que vivemos?
Falo disto. Da simplicidade da vida, que tornou-se tão sofisticada que o bom tom tomou conta da originalidade pessoal. Tornamo-nos caricaturas cheias de exageros. Escondemo-nos na sofisticação que rotula e dá status. Acabamos por nos esconder no pior esconderijo que pode existir: em nós mesmos.
Com isto, nos contentamos com o rascunho aceito pela maioria.
Nos afastamos.
Parentes distantes tornam-se qualquer coisa, menos parentes.
Amigos vivem ao nosso redor! Como?
A prática moderna de amizade tornou-se a seguinte: abra seu Facebook e olhe embaixo da foto do seu perfil. Agora abra um sorriso amarelo e se alegre em ler a quantidade de amigos você tem ali!
A compensação da solidão contemporânea é premiá-lo apartir da quantidade de seguidores você tem no Twitter.
Bobagem!
Ser humano sobrevive mesmo com o contato com o outro. Contato que traz saudades. Contato que reafirma amizades. Contato que traz atritos. Contato que nem a melhor tela touch pode trazer…
Vi este clipe de Marcelo Jeneci estes dias. Enviado por um amigo real, que encontro e já temos algumas boas histórias pra contar.
No meio do clipe comecei a chorar. Sou de uma família humilde. Meus pais paraibanos deram a mim e ao meu irmão o que não tiveram oportunidade. Esforçaram-se para que a nossa história não fosse uma mera repetição de fatos. E uma das marcas de meus pais foi a da simplicidade e respeito. Não seriam os outros que diriam aonde nós poderíamos chegar.
Olhei o clipe e me lembrei deles. Olhei para aquela gente humilde, que em sua maioria são da própria família do Marcelo Jeneci, e como flashes que espocavam em minha mente revi parentes.
Revi minha avó paterna, que com seus mais de 70 anos tinha a pele de índia e cabelos compridos mantido presos em seu belo coque. Mulher guerreira que matava galinha no quintal com peixeira afiada. Mulher que honrando a tradição indígena, gostava de comer fazendo ‘bolinhos’ com a mão.
Num detalhe revi meu avô, com suas camisas sempre bem passadas e abraços largos. Lembrei de sua risada barulhenta que sempre o fazia derramar lágrimas quando gargalhava.
Ali pude perceber que minhas tias estão vivas e nossos contatos mortos!
Em meus olhos saltaram imagens de minha mãe. Dona Salete, que sabia con-viver com sabedoria mesmo em meio as humilhações que a mesquinhez humana fazia submergir de pessoas ditas de alta classe.
Os cabelos brancos de meu pai vieram a minha mente, como se fosse um tapete para que caminhássemos e o carpe diem fez-se vivo!
Percebi que meu irmão esta indo morar em Curitiba e isso me fez chorar e sorrir.
Foi neste instante que a letra de Jeneci explodiu em meu peito:
“Tem vez que as coisas pesam mais do que a gente acha que pode aguentar.
Nessa hora fique firme, pois tudo isso logo vai passar.
Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser.
Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar.”
A vida é feita de oportunidades! Jogamos fora inúmeras…
Fiz um acordo com Deus: quero deixar de jogar fora as oportunidades que surgem!
Quero a simplicidade, o contato, a vida que tem esperança na volta do sol no meio da chuva.
Como acontece no clipe há a presença do arco-íris. E lembrei-me na hora da aliança feita entre Deus e os homens de que a terra não seria mais destruida por dilúvios:
“O arco estará nas nuvens;
vê-lo-ei e me lembrarei da aliança eterna
entre Deus e todos os seres viventes
de toda carne que há sobre a terra.”
Gn 9.17
O que eu fiz com tudo isso? A chuva sempre virá, mas não será um sinal de fim. É a oportunidade de ver o sol brilhar. E se meu peito ansioso e arredio de esperança começar a gritar, Deus sorri em forma de arco-íris avisando que o Sol da Justiça retornará!
Glória a Ele!
Vivamos a vida nEle!

Lindo, Sandro! E tão verdadeiro. Já há movimentos minimalistas no mundo inteiro já cansado com tantas complicações humanas, tantas sofisticações vãs, que levam a um vazio imenso. Chique mesmo é o amor! Isso sim é legitimamente complexo e sofisticado. O amor é profundo, sábio e esbanja inteligência emocional. Se voltássemos nossa vida para o Amor, seguindo seus princípios e valores, o mundo seria uma delícia e nossa alma estaria verdadeiramente aquecida! Afinal, Deus é Amor! Parabéns pelo seu blog!