Tesouro

21 21UTC Outubro 21UTC 2009 Sandro Wagner 1 comentário

Hoje de tarde estava na sala e liguei a tv. Estava sintonizada no Multishow e nem mudei de canal, deixei lá mesmo. Num dado momento resolvi prestar atenção ao que estava se passando. Era algo como um reality show de jovens que viviam na Califórnia chamado Laguna Beach.

Neste episódio os jovens estavam terminando o High School(antigo 2º Grau no Brasil) e estavam há 4 horas do início da festa de Formatura. O foco deste episódio eram, obviamente, a formatura e expectativa dos jovens e das famílias. Mostrvam como estava o clima na casa de cada um dos jovens que estavam partindo para o caminho da universidade.

Naqueles momentos cada um dos jovens estavam em suas casas em um momento família: todos reunidos com os pais e irmãos. E todos estavam recebendo presentes pelo dia da tão sonhada formatura.  Muitos recebiam os presentes e já levavam até mesmo bronca de não ter feito um bom high school.

Uma adolescente ganhou um carrão do pai e nem deu tempo de agardecê-lo, pois saiu no mesmo instante para desfilar e mostrar aos amigos sua nova aquisição!

Outro ganhou o livro de formatura dos pais, tendo uma cara de frustração enorme. Não esperava ganhar ‘aquilo’ dos pais. E fez muita questão de deixar clara a sua insatisfação diante de tal presente. Saiu de casa poucos minutos, deixando os pais sem entender como ele não entendia o porque do presente.

Outro jovem ganhou dos pais uma aparelhagem de som moderníssima e poderosa! Para minha total supresa ele não esboçou nenhuma reação. Seja de alegria ou de tristeza: abriu o presente, agradeceu e pronto. Sentou-se a mesa e continuou a comer diante de um constrangedor silencio familiar.

Em meio a todas experiências com jovens, expectativas do futuro e crises familiares, uma jovem me deixou impressionado.

Os pais a abraçam com terno carinho.
Viram-se para ela e com todo amor lhe diz: “Esta aqui o presente que você sempre sonhou. Abra e veja!”

Era uma caixa de uns 40cm por 30cm. Fiquei pensando em tudo quanto foi coisa. Eis que ela com um grande sorriso olha para o pai e meio sem acreditar de tanta felicidade diz: “Não acredito nisto!!! Uma Biblia de Estudo!”

Num grande salto ela agarra os pais em um abraço de plena felicidade e diz: “Isto aqui vai me fazer entender o mundo de forma correta! Foi o melhor presente que alguém poderia me dar! Obrigado papais!”

Eu permaneci parado diante da cena do tal reality show. Diante de tantos presentes de caráter consumista ou esquisito, pais dão uma Bíblia para a filha que provavelmente iria para a Universidade. Uma filha que iria sair de casa e aqueles pais sábios deram a bússola para a filha.

Fiquei pensando se em muitos lares a reação seria a desta menina ou do garoto que ganhou o livro de formatura dos pais.

Que provavelmente tratariam o presente como algo “religioso” ou se teriam real sentido do valor que as Sagradas Escrituras tem.

Comecei a pensar em minha relação com as Escrituras: será que tenho tido o mesmo prazer e contentamento nas minhas leituras e devocionais? Ou tenho tratado da Palavra de Deus como mero instrumento religioso?

Aquela moça fez-me pensar sobre minha fé, vocação e devoção.

Que eu tenha agora no mínimo te incomodado nisto também.

Deus te abençoe!

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Benditos Joelhos

11 11UTC Outubro 11UTC 2009 Sandro Wagner 2 comentários

Benditos Joelhos

Estou com dores no joelho esquerdo velho de guerra. Sei que a saída deve ser a procura de um fisioterapeuta, mas vida que segue. Saúde foi feita para ser cuidada…

Fiquei aqui de molho alguns dias, tendo que andar devagar. Parei com muita coisa, inclusive esta semana não pude nem estar na igreja durante os três dias que vou para atender e ajudar no que for preciso. Nestes dias pude parar, ler mais a Bíblia e alguns outros livros. Pude fazer reflexões sobre para onde minha vida esta caminhando.

Nisto eu achei muito paradoxal: meu joelho parou para que eu pudesse rever todos os passos. Tive que parar o que andava fazendo. Para ver onde estava caminhando. Este processo foi de extrema saúde e reflexão de onde os meus pés tem me levado e principalmente me fez perceber que na verdade devo ter o anseio de minha alma de ouvir a voz de Deus e nEle ter a verdadeira noção de minha caminhada.

Deitado em minha cama ou sentado no sofá, pude pensar nos passos que Ele quer para mim. Onde eu devo ser conduzido, levado, encaminhado por Ele. Meus passos são trôpegos, vacilantes. Ele é quem deve ser o centro e o norte de minha caminhada.

A vida vem com todas as suas luzes e trilhas tentando cegar e ensurdecer-nos. Vamos vagando por ai, prestando atenção no que esta a nossa volta. Até que os joelhos doem. Somos parados. Temos que ficar sentados para ter o real sentido da vida e de seu caminhar falando ternamente conosco.

E o mais interessante é que neste bate-papo animado, terminamos literalmente de joelhos na frente daquele que não nos abandona e nem deixa de nos amar.

Assim eu tenho me levantado, com mais força e real sentido de que Ele é real e se importa muito comigo.

“Quem, com efeito, conheceu o pensamento do Senhor?
Ou, quem se tornou seu conselheiro?
Ou quem primeiro lhe fez o dom para receber em troca?
Porque tudo é dele, por ele e para ele. A Ele a glória pelos séculos! Amém”

Romanos 11.34-36
(Bíblia de Jerusalém)

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Enquanto caminho…

7 07UTC Outubro 07UTC 2009 Sandro Wagner 3 comentários

Tenho pensado muito sobre a maturidade. Acho que aos 34 anos comecei a ver a vida de outra forma. Não que tenha me tornado um expert em maturidade, muito pelo contrário. Só que algumas coisas tem que inquietado.

Sei que para muitos este estágio chega antes. Para outros a vida tem sempre ar de brincadeira, com as infantilidades que não são mais cabíveis em virtude da avançada idade.

Maturidade não é algo fácil ou mesmo instantâneo. Vai se chegando como num vinho que com o tempo torna-se encorpado. Os sabores vão se tornando mais nobres e o frescor se mantém. Isso só com o tempo, muito tempo.

Não sei porque brigamos muito com a maturidade. Provavelmente é porque muitos a tem como sinônimo de velhice, cabelos brancos ou coisas que se pareçam com a imagem já a tanto desenhada do que seria um homem ou mulher madura.

Só que muitos lutam com garras afiadas contra esta fase da vida. Acham-se imortais, mitos ou acima de qualquer forma de sabedoria que só o tempo pode dar. Acreditam estar no patamar de seres sagrados, que tem a vida como sua criação e moldura. Esquecem que qualquer queda tudo vai à ruína.

Pego-me sentado na cama vendo no espelho meus ainda ralos cabelos brancos e chego a conclusão que a vida passa e o que passou passou. Não adianta querer viver o que já passou. Ai tenho que concordar com o filósofo: não há como passar pelo mesmo rio duas vezes. As águas são outras. A vida é outra!

Seria até mesmo absurdo eu querer voltar a vestir-me como punk que era em minha adolescência. Ou mesmo acreditar nas doutrinas socialistas em pleno século XXI. Ou mesmo acreditar que as pessoas de minha juventude fossem melhores do que as de hoje.

A vida segue. Cristo me converteu há exatos 13 anos… Muita coisa já rolou. Ele resgatou este cara com barba grisalha de apenas 34 anos. Não tenho porque olhar pra trás mas seguir em frente, sabendo que o melhor ainda esta por vir. Que Ele comanda minha vida e tem todos os meus dias contados.

Olho para o meu lado e vejo como sou feliz. Minha esposa me completa. Não sou rico e nem tento sê-lo. Não tenho porque viver a vida querendo ser um Peter Pan como tenho visto em muitos cantos.

Acredito que cada fio branco não é pigmento de meu cabelo que se vai, mas a certeza que os anos passam e que não posso viver como se estivesse com 18 anos. Maturidade é algo que ultrapassa o símbolo de velhice anunciada, mas a certeza que a vida deve ser pensada e vivida ainda mais. Cristo nos deu vida em abundância!

Por isso tenho tentado viver apartir desta parte das Escrituras e não abro mão disto:

“Vai, pois, come com alegria o teu pão e bebe gostosamente o teu vinho, pois Deus já de antemão se agrada das tuas obras. Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes, e jamais falte o óleo sobre a tua cabeça. Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol; porque esta é a tua porção nesta vida pelo trabalho com que te afadigaste debaixo do sol.”

Eclesiastes 9.7-9

Maturidade é ser sábio, prudente e cheio de temor e amor de Deus enquanto se caminha nesta terra que cheira maldade.

Nisto eu dou minha vida!

Conversão…

9 09UTC Setembro 09UTC 2009 Sandro Wagner Deixe um comentário

Raridade hoje?

Raridade hoje?

Conversando com amigos de ministério no último sábado, um assunto veio a mesa e até agora não me sai da cabeça. Na verdade não tem me saído da cabeça já há alguns meses. Infelizmente a igreja protestante tem deixado de ter em suas fileiras homens e mulheres convertidos. Se assustou? Eu também…

O Senhor Jesus me converteu em outubro de 1996. Lembro que foram alguns meses de luta interna, pois não me parecia o melhor caminho a seguir, mas a sua irresistivel Graça alcançou-me naquele começo de outubro. Lembro que naquela madrugada de sábado para domingo, eu cai em tremendo choro em meu quarto diante de algo belo e vivo. Não tinha como voltar atrás, fui alcançado com um amor e certeza de não poder andar pelos caminhos que andava antes. No domingo eu queria ir até a igreja, reunir-me com meus irmãos, cantar aqueles cânticos que naquele instante passaram a ter real sentido e ao mesmo tempo declarar ao mundo que eu pertencia ao Senhor Jesus.

A metanóia estava instaurada: não podia viver do mesmo jeito que vivia. Isto já começou no primeiro dia da conversão. Sem saber nada de Bíblia, uma coisa eu tinha certeza: a vida com Cristo deveria ser uma nova vida!

No processo soberano da conversão, o Senhor usa a pregação da Palavra. A forma inteligível de entendimento do texto bíblico. Dizer o que o texto diz é uma forte arma argumentativa, mesmo sabedores que Deus usa a revelação apartir dEle mesmo para que o homem natural possa ter a neblina que o cega retirada.

E muita coisa tenho visto na igreja. Não só eu tenho visto, mas o mundo tem visto. E até o momento não vi a igreja ser foco das atenções por estar pregando a Palavra centrada nas Escrituras, com boa doutrina e vida ética. As manchetes chamam mais atenção pelo lado obscuro e vida destituída da ética/moral cristã.

E neste bonde as igrejas estão abarrotadas de pessoas que não tem tido muito tempo para mudar suas vidas pela transformação do Evangelho genuíno.

Nunca pensei que diria isto: tenho saudades do tempo em que uma pessoa entrava na igreja e algum tempo depois você quase não a reconhecia pois ela havia se transformado numa nova criatura…

Esta afirmação não passava em minha cabeça, pois simplesmente esta deveria ser o normal na comunidade da fé. Mesmo que em nosso meio sempre existiu – e existirá- pessoas simpatizantes ou que precisam de uma ajuda religiosa, o número de convertidos hoje é menor do que muitos pensam.

Ai fica o desafio para os que não desistiram da igreja:
- Buscar a genuína pregação da Palavra;
- não se envergonhar de usar a mente que o Senhor nos deu e PENSAR a fé;
- Entender que estudar doutrina é algo necessário e deve fazer sentido na nossa prática diária;
- Não dividir a vida em departamentos, mas viver a fé no dia a dia;

Fica ai uma das músicas mais lindas sobre conversão que já ouvi:

Já perceberam que nem sobre a conversão cantamos mais?
Qual foi a última vez que você cantou junto com os irmãos um cantico que fala sobre conversão?

Agora é com vocês!

Comentem!

A revogação do inferno

25 25UTC Agosto 25UTC 2009 Sandro Wagner Deixe um comentário

João Heliofar de Jesus Villar*

Phillip Roth é hoje um dos mais respeitados escritores nos Estados Unidos. Frequentemente seu nome é mencionado nas cogitações do Prêmio Nobel de Literatura. Num estilo seco, agradável de ler, em histórias que sempre tem como pano de fundo a realidade judaica americana, seus romances ganharam o mundo.

Em sua última obra, “Indignação”, o autor narra a saga de um jovem judeu, filho de um açougueiro kosher, que, durante a guerra da Coreia, consegue se livrar do alistamento, mantendo-se na universidade. Porém, inscrito em uma instituição cristã profundamente conservadora, o aluno se vê sob o risco de expulsão continuamente, pois não aceitava as restrições impostas pela faculdade, especialmente o dever de frequentar cultos semanalmente. O romance gira em torno dessa tensão; isto é, o aluno, que sustentava sua rebeldia como uma questão de honra, equilibrava-se numa corda bamba, pois, caso fosse expulso, teria de enfrentar as trincheiras geladas da guerra do extremo oriente.

A história constitui pano de fundo para mais um ataque cruel ao cristianismo e revela como o caldo de cultura ocidental está cada vez mais hostil à fé. Mesmo um autor sofisticado como Roth não consegue vencer a tentação de passar uma visão maniqueísta do confronto do jovem rebelde com a direção de uma instituição cristã.

Num diálogo com o diretor da faculdade de direito (um “apaixonado por Jesus”), o jovem judeu afirma com grande orgulho que é ateu e que Bertrand Russel já havia demonstrado suficientemente a total falta de lógica dos argumentos a favor da existência de Deus, na obra “Por que não sou cristão”. E acrescenta que Russel teria afirmado com toda propriedade que Jesus não poderia jamais ser tido na conta de um bom mestre, tendo em vista os seus ensinos sobre o inferno. A doutrina do inferno seria completamente inaceitável, suficiente para arruinar a reputação de Cristo, por mais elevados que fossem os demais ensinos éticos firmados nos evangelhos. Diante desse ataque, o diretor da faculdade de direito se limita a fazer ataques à conduta pessoal de Bertrand Russel, que seria uma figura amoral, adúltero etc. Do ponto de vista racional, porém, suas críticas seriam irrespondíveis.

A história se passa nos anos 50, mas é bastante atual, com a diferença de que hoje, nas universidades, a posição dominante é a do herói de Roth, especialmente no corpo docente. E a tendência de hostilização intelectual é tão forte e crescente que intimida abertamente os cristãos mais ortodoxos.

Uma prova de que a intimidação já chegou ao centro da igreja é o silêncio envergonhado nos púlpitos a respeito do inferno. Se hoje Jonathan Edwards pregasse “Pecadores nas mãos de um Deus irado” em qualquer lugar, perderia imediatamente seu cargo de reitor da Universidade de Princeton, seria escorraçado da igreja, e ninguém mais ouviria falar no seu nome. Talvez os conceitos de Russel a respeito do tema tenham se infiltrado no inconsciente cristão de tal modo que ninguém consiga tratar do assunto sem suscitar em si um profundo sentimento de culpa diante do ouvinte secular.

Na verdade, se fosse possível, talvez convocássemos um concílio para revogar o inferno por algum tipo de decreto a fim de que fosse declarada a paz com a modernidade e ninguém falasse mais nisso. Falaríamos apenas em amor, graça e tolerância, temas tão caros à piedade moderna. Que o inferno vá para o inferno. Talvez ficasse difícil explicar para quê serve a salvação — seremos salvo do quê, exatamente? Mas, por certo, teríamos um verniz intelectual muito mais elegante perante nossos interlocutores seculares. Afinal, não é a eles que devemos agradar?

• João Heliofar de Jesus Villar, 45 anos, é procurador regional da República da 4ª Região (no Rio Grande do Sul) e cristão evangélico.

Fonte: Revista Ultimato

Fica quieto…

20 20UTC Agosto 20UTC 2009 Sandro Wagner Deixe um comentário

O reality show “A Fazenda” tem andado na boca do povo. Mesmo não tendo a mesma repercussão do BBB, tenho visto o crescimento da audiência do programa. Inclusive, não há como zappear pela Record sem assistir nem que seja um minuto do programa que é divulgado à exaustão pela emissora.

Como acontece em todos reality shows, o grande acontecimento é a eliminação dos participantes do programa. E entre os integrantes do tal programa tem um cara que eu admiro. Muitos até ficarão de cabelos em pé, mas preciso confessar: sou fã de longa data do Carlinhos, mais conhecido como o Mendigo.

Acompanho há muito tempo o programa Pânico na rádio. Não tenho muitos motivos para ver as forçações de barra do programa da TV, que prefere a ótica do absurdo e baixaria. Diferentemente o programa de rádio sempre foi divertido aproveitando ao máximo convidados de gosto muitas vezes duvidoso. Lá aprendi a admirar a forma rápida que o Mendigo conseguia criar piadas de coisas muitas vezes simples. A rapidez do pensamento do humorista me assustava e me fazia morrer de rir. Outra coisa que chegava a ser inacreditável era o humorista que ‘pegava pilha’ com as brincadeiras dos companheiros de programa. Um humorista mau humorado é algo quase surreal!

O que muitos hoje descobriram, descobri há muito tempo: a raiz da forma rude daquele humorista e sua rapidez vinham da sua vida de menino de rua. A história de alguém que apanhava na Febem, da família e dos “amigos” da rua! Um cara sofrido que a vida transformou em um humorista dos bons! Aquela pedra ainda bruta que fazia rir, estava sendo lapidada pelo drama do abandono e violência de sua infância.

Um menino, que provavelmente, durante boa parte da vida deve ter sido colocado contra a parede. Deve ter ouvido de muitos que a vida não teria mais jeito, que tudo seria sofrimento e a solução devia ser o crime e a vida “fácil”. Só que houve uma reviravolta na história do então adolescente: apareceu uma senhora de uma das famílias mais ricas e por um ato de misericórdia tirou aquele garoto da rua. O menor infrator tornou-se office-boy interno na Jovem Pan.  E em pouco tempo aquele moleque trocava o horário do almoço para sentar no chão do estúdio e assistir o programa Pânico. Prestando atenção nos caras do programa, aproveitando oportunidades e confiando em seu talento, anos depois tornou-se  um humorista querido por muitos.

Como será o futuro dele? Não tenho a menor idéia. O que sei é que imensos talentos como o dele estão em praças, ruas e morros. Muitos esperando uma mão que fale sobre o talento deles, num discurso diferente dos jornais e telejornais que preferem exterminar toda uma geração que poderia ter um futuro diferente do que a vida tem se apresentado. Alguém que abra porta de educação e trabalho. Demonstrando com atos que a vida é muito mais que fugir da própria vida!

Ando nas ruas e vejo uma imensa quantidade de meninos de rua que tem talento. Não são meros mortos-vivos entorpecidos pela cola que vivem cheirando. São meninos que precisam de uma oportunidade e não de caras amarradas de uma legião de brasileiros que insistem em negar sua existência. Enquanto isto morrem de rir das piadas de um cara que foi um dos milhares de meninos que hoje poderiam estar no submundo do crime.

Deus faça esta Nação se arrepender de nossa omissão!

Eu vi um “apóstolo”…

18 18UTC Agosto 18UTC 2009 Sandro Wagner 4 comentários
Os doze apóstolos

Os doze apóstolos

Fomos a uma pizzaria comemorar o aniversário de uma querida amiga. Estávamos à mesa com um grupo de nossa igreja. Todos alegres, contando piadas, rindo da vida e cheios de comunhão uns com os outros. Na nossa mesa nada diferenciava ninguém. Não importava se estavam ali pastores, seminaristas, pessoal do louvor, missões ou qualquer departamento de nossa igreja. Nós percebemos a vida não departamentalizada: todos somos pecadores e precisamos de Cristo e um dos outros.

Estava conversando com um querido amigo na mesa e me perdi pensando que ali estava um grupo de pessoas que amam a Cristo e O servem na vida. Com suas qualidades e defeitos. Conversando de todos os assuntos possíveis e em nada diferenciando-se do restante das mesas. Eu agradeci a Deus por fazer parte de um grupo assim. Pessoas que se sabem gente e vivem como gente. E não como robôs da fé.

De repente vejo minha esposa falando com duas senhoras muito simpáticas. Eram companheiras de meus sogros na caminhada da fé. Há muito tempo conhecem a família de minha esposa. Estavam animadas e sorridentes. Minha esposa veio apresentar-me a elas e continuei percebendo a simpatia delas. A senhora mais velha apresentou-me a filha, uma mulher de uns 50 anos. E não deixou de falar com muito orgulho sobre a filha e do genro:
“Esta é minha filha. Ela é bispa e meu genro é apóstolo. Ele esta ali no caixa pagando a conta!”

Eu gelei de cima a baixo… Comecei a perceber um enorme abismo diante daquela mesa e a mentalidade da maioria das igrejas evangélicas brasileiras. Nossa mesa não era melhor ou formado por excelentes cristãos! Sei das nossas fraquezas! Mas exatamente por isso fiquei perplexo olhando aquela senhora que era bispa(episcopisa seria o correto). E fiquei triste observando ao longe um homem de meia idade, que foi colocado no patamar de apóstolo.

Naquele momento lembrei-me do que faz alguém um apóstolo e porque a igreja parou em Paulo como o último apóstolo legítimo diante da igreja. Depois disto não há um apóstolo legítimo sequer, mas somente um “cargo” eclesiástico qualquer. Afinal em algumas igrejas pelo mundo existem até cursos e diplomas de apóstolos!

A igreja reconhecia um apóstolo nos seguintes termos:
-
Foi escolhido e enviado pelo Senhor:  Lc 6.13;  Jo 6.70;  At 9.15; 22.213.
- Testemunhou Sua ressurreição: At 1.22;  1 Co 15.8,15
- Lançaram e formaram o alicerce da Igreja, da qual Jesus é a Pedra angular: 1 Co 3.10;  Ef 2.20

Olhando para aquele homem, que nem conheço, fiquei constrangido e indignado com o que muitos tem feito em nome de títulos e honrarias humanas. Não conheço o ministério e nem o coração daquele homem, mas não tenho como me calar diante de tal maluquice moderna.

Bom… Eu acredito em mudanças de vidas. Se isto for milagre, ok? Acredito em milagres e não me sinto bobalhão por isso. O que peço a Deus é que tire dos olhos daquele homem e família esta mentira vendida por sórdida ganância de poder! Que ele não se apresente num futuro próximo como apóstolo, mas como servo humilde de Cristo.

Ta aí… Será que se seminários teológicos deixassem de entregar um diploma e os formandos recebessem um abraço e imposição de mãos, tais instituições de ensino ficariam lotadas? Ao invés de um diploma, os formando recebessem a recomendação de serem humildes servos de Cristo, como seria a realidade da igreja formada por estes homens?

Sei que estou sendo simplório em minha reflexão, mas o que você pensa sobre este assunto?

Use os comentários e expresse sua opinião!

Naquele que nos une!

Ontem conheci Eduardo…

17 17UTC Agosto 17UTC 2009 Sandro Wagner 4 comentários

Uma Nação que olha para baixo!

Sim, ontem conheci Eduardo. Um rapaz de 32 anos de idade, negro, soropositivo e completamente desnutrido. Não tenho como dizer a altura dele, pois de tão debilitado ele não conseguia mais se levantar. Ele estava caído, jogado em cima de pedaços de papelão e coberto por um cobertor sujo. Estava ali há mais de 24 horas. Ele havia chegado numa cadeira de rodas que foi roubada na madrugada por dois homens bêbados. Eles o jogaram no chão e sem dó – por pura e insana “diversão” – roubaram a cadeira de um homem que mal tinha força para falar.

Eduardo estava sozinho, sem família para o ajudar em seus momentos finais. Haviam alguns desconhecidos querendo ajudá-lo a ter a dignidade perdida, mesmo que no momento de proximidade com a morte. Aquele rapaz estava jogado a própria sorte, enquanto muitos passavam como se nada estivesse acontecendo.

Por pura pressão e misericórdia, foi chamado o pessoal que trabalha com Assistência Social da prefeitura. Chegaram e verificaram o quadro. E com olhares perdidos e tristes atestaram a falência do municipio: Não podemos fazer nada! Porque? Os abrigos só tem vagas para quem pode “se virar sozinho”, portanto Eduardo não era um caso social, mas médico!

Chamamos os Bombeiros. Para nossa surpresa eles já tinham vindo mais cedo ver o estado daquele homem quase moribundo. Ao ser perguntado qual seria a melhor solução para aquele homem, o médico bombeiro preferiu discursar antes sobre seu curriculo acadêmico e afirmar que era cristão. Fiquei boquiaberto diante de tal início de conversa. Depois de falar sobre sua vida acadêmica e religiosa, o médico disse que o caso de Eduardo não era caso médico, mas social. E para me deixar ainda mais boquiaberto, o médico confessou que se levasse o rapaz para um hospital e os médicos verificasem que o caso dele fosse somente internação o pessoal do plantão “viria com sete pedras nas mãos para cima de mim”. E não era o caso de manchar o curriculo deste bravo médico dos bombeiros, né? Afinal Eduardo não lembrava nem o nome da mãe, nem sua data de nascimento e que era um cidadão brasileiro! Cidadania? Pra que? Ou pra quem?

Então chegou a SAMU e instaurou-se um caso ainda mais particular: o pobre Eduardo estava deitado, cheio de dores. E em estado total de esquecimento que ele era um ser humano e merecia cuidados. Ao redor dele estavam representantes do município(Assistencia Social da prefeitura), do Estado(Bombeiros) e Federal (Samu), que em uníssono cantavam a canção do descaso: um jogava a vida e cuidados do Eduardo para o colo e incompetência do outro.

Na porta da SAMU havia uma inscrição: BRASIL, UM PAÍS DE TODOS.

Será que o soropositivo, negro e abandonado Eduardo merecia este país? Um Brasil? UM PAÍS DE TODOS? Pude verificar isto na realidade, ali mesmo nas ruas. Ali eu vi o ESTADO petrificado em decidir se o caso daquele moribundo rapaz era SOCIAL ou MÉDICO! Percebi de forma inconteste, que o problema não era o pobre Eduardo, mas de um país hipócrita! Onde prefere-se que a resolução destes miseráveis seja a chegada de um rabecão e o pessoal do IML. Para que dar vida e cuidados ao Eduardo? Afinal, vai ser jogado novamente nas ruas! Esta é a lógica de um soberano e impávido colosso! Fechamos os olhos para casos de Eduardo, assim como fazemos o mesmo com Sarneys e afins.

Ficamos ali, observando até o fim: decidiram levar o rapaz para o hospital.

Então Eduardo abriu sua boca e falou algo que demonstra que ele sabe como é o descaso com o doente pobre neste país:
“Vocês vão me levar para o hospital pra que? Os médicos vão me jogar na rua de novo. Não vão me atender de novo!”

Ficamos duas horas de pé velando e pedindo a Deus que desse o mínimo de dignidade aquele homem quase moribundo. Ouvir da voz de um homem em estado final que lhe esta sendo negado a dignidade e cidadania me fizeram explodir num choro que a muito não tinha. O choro de ver que este país é feito de fatos como estes TODOS os dias e a nação esquece que isto acontece! Seja no futebol ou carnaval! Vivemos anestesiados, sorrindo de não sei o que.

Quantos Eduardos terão que morrer para que este Brasil volte a ter um coração de carne e sangue pulsando?

Comecei a lembrar dos homens que roubaram a cadeira de rodas do Eduardo. Que sairam rindo e gritando pela rua. Não estavam nem ai para o moribundo, mas viam somente a oportunidade de se divertir com a cara do rapaz. E pensei na hora: As intituições de saúde e assistencia social tem feito muito bem o seu papel de roubarem cadeiras e dignidades de tantos seres humanos abandonados pela vida e que moram nas ruas. Passam de Kombi ou ambulâncias por eles e o som das sirenes se parecem muito com as risadas dos bêbados ladrões de cadeiras de roda.

Deus um dia terá um encontro com esta Nação e isto me faz gelar. Os olhos de Deus estão atentos. E a igreja continua numa grande letargia. Até quando calaremos o som dos gritos dos miseráveis? Não podemos mais agir da mesma forma!

Deus tenha misericórdia de todos nós!

Uma simples faixa de pedestres…

9 09UTC Agosto 09UTC 2009 Sandro Wagner 1 comentário

Hoje completam 40 anos do lançamento de “Abbey Road” dos Beatles. E em comemoração a tal fato histórico, milhares de pessoas foram até a frente do mítico estúdio para terem a oportunidade de tirar uma foto igualzinha a capa do penúltimo disco oficial do Fabfour.  Fiquei sentado olhando aquela cena com uma vontade enorme de tirar uma foto ali. Na verdade este foi um sonho que sempre nutri.

Quem me conhece sabe que minha banda predileta é o The Who. Nunca escondi isto de ninguém, mas os Beatles estão entre as 5 que mais me emocionaram e fizeram deste humilde ouvinte um grande apreciador do rock. Gosto muito dos Beatles. Os quatro garotos de Liverpool acompanham minha vida desde meus 12 anos quando ouvi o disco “A hard day’s night”. Disco simples, infantil e ousado! Todo mundo canta junto.

Ai os caras foram amadurecendo, foram se entregando ao mundo próprio das composições e lançaram verdadeiros marcos históricos em forma de discos. A trinca imperdível Rubber Soul(1965), Revolver(1966) e Sargeant Pepper(1967); definem o som dos Beatles: criatividade em arranjos e letras, tudo harmonizado pelo mestre/maestro George Martin.

Este disco que agora completa 40 anos mostra o amadurecimento de McCartney como letrista e arranjador que seguiu em sua carreira solo. Lennon também já dá demonstrações de que tudo caminha para uma ruptura com os companheiros.

Sei que se passaram 40 anos e muitos querem fazer o caminho dos Beatles: atravessar a rua e ter esta imagem imortalizada em uma foto. Tudo igual a capa do magistral álbum. Sei que eu fiquei, como já disse anteriormente, com a vontade de ter esta oportunidade um dia. De esperar o sinal fechar e pedir para alguém registrar o momento: eu, minha esposa e filhos atravessando aquela já desgastada faixa de pedestres. Colocar o quadro com a foto do tamanho de um vinil na sala e ficar olhando para ele de vez em quando. Isso seria legal, sabiam?

Ao mesmo tempo me peguei pensando sobre um outro caminho e fiquei intrigado. Jesus andou por este mundo e fez tantas coisas que neste terra não caberiam a quantidade suficiente de livros contando todos os fatos (Jo 21.25). Naquele momento fiquei olhando minha velha Bíblia, já surrada, e fiquei imaginando algo como a capa de “Abbey Road”.

Será que tenho olhado para ela com vontade de (re)viver tudo que ela diz? Não falo de forma legalista/moralista, mas de ter o prazer de refazer os caminhos do Mestre. De olhar para a mensagem de Cristo e ter nela a inspiração para a vida. Tudo isto da forma devida, sem ranços religiosos ou libertinagem. Tendo o foco nos pés do Mestre, em suas pegadas e palavras. Tudo isto moldando minha vida e de minha família.

Fiquei pensando novamente… Pensamentos que vão e vem a mente…

Como seria legal ter um quadro de minha família, incluindo os filhos que ainda não tenho, numa imitação da capa do clássico disco dos Beatles. Como seria bacana! Contudo, como quero que minha família tenha nos passos de Cristo sua inspiração. Uma família de imitadores do Cristo! Que ama a vida, tanto ama que a dá a própria vida por amor dos seus! Que olha o outro com amor e compaixão! Caminhando na vida, sentindo o mesmo calor e tendo convicção que há mudança espiritual e social por onde quer que passemos. Caminhar como Ele faz todo o sentido!

Tudo isto eu vi através de uma pequena faixa de pedestres. Tudo isto fez real sentido nas palavras daquele que atreveu-se a dizer que Ele era o único Caminho, Verdade e Vida. Nisto ele foi mais radical do que os Beatles. Nisto ele foi mais inspirador que toda a música. E nisto ele foi mais que poeta! Foi e é o único sentido de se atravessar esta vida para a vida eterna!

Á Ele toda Honra e Louvor!

Um mundo caiu…

6 06UTC Agosto 06UTC 2009 Sandro Wagner Deixe um comentário

O Twitter saiu do ar… Suspense no mundo!

Exagero? Para algumas pessoas o sentimento de vazio foi enorme! Um vazio de duas horas, período em que durou o ataque hacker no microblog. Alguns, segundo grandes jornais, disseram que ficaram aflitos. Outras diziam que não havia motivo para terminar nada do que estava fazendo enquanto o microblog não voltasse: voltariam a trabalhar quando tudo voltasse ao normal! Li que um usuário estava desorientado porque não podia dizer ao mundo o que estava fazendo naquele exato momento…

Ai lembrei-me de uma aula de filosofia do seminário em que o professor falou que hoje o pensamento/reflexão tornou-se tarefa para muito poucos. Quando ele falava isto, estava afirmando que se há algumas décadas já eram poucas as cabeças pensantes, hoje os que se preocupam em ruminar pensamentos para ter uma uma opinião sobre algo, tornou-se um circulo ainda menor. Não tive como discordar.

Lembrei hoje daquela aula, justamente por causa da queda do site do Twitter. Não tive como pensar e tirar um grande sorriso ao pensar o seguinte: imaginem 6 meses sem Wikipedia! O emburrecimento desta geração estaria ainda mais exposto. Se as informações da enciclopédia virtual já não é das mais confiáveis, imagina a sua interrupção por causa de hackers?

Será que o povo deixaria de “copiar e colar” os textos do famigerado site e passariam a descobrir que existe uma “coisa” chamada livro? Eles entenderiam que o cérebro pode guardar informações em quantidades maiores do que o maior dos HDs? Acho eu que até mesmo ficariam boquiabertos: o mundo do pensamento ultrapassa o mundo dos fóruns que infestam a internet! E pasmem: perceberiam que a discussão face a face, pode ser extremamente saudável!

Enfim… Que a vida ultrapassa o mundo dos bits!

Hoje muitos se sentiram solitários porque o twitter saiu do ar. Será que os hackers fizeram um grande favor de avisá-los que por duas horas ficaram de frente a um espelho?

Fica esta pequena reflexão que não foi copiada do wikipedia! rssssssssss

PAZ!